quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Cassinos e pseudo-amores

Há mais ou menos dois meses eu fui pra Las Vegas. Passei alguns dias lá, mas não apostei em nenhum cassino. Isso porque eu sei que a casa sempre ganha. Todo mundo sabe disso. E o interessante é que eles não ganham na primeira vez que você aposta. Eles te fazem ganhar algumas vezes, ficar animado, apostar todas as suas fichas e aí... Pronto! Eles pegam todo o seu dinheiro.
E eu comecei a pensar, e entender que não são só os cassinos que são assim. Parece-me que todos os pseudo-amores que tive na vida agiram como um cassino.
É lógico que existem mulheres inteligentes que sabem quanto parar de jogar. Sair quando estão no auge, e assim não deixar a casa ganhar.
E eu já entendi que não sou uma dessas mulheres. Até porque fazer isso seria compactuar com o esquema dos cassinos. E eu, na minha ingenuidade monstra, acho que a casa devia simplesmente dizer: se você continuar apostando, eu vou levar tudo. Se você apostar todas as suas fichas, pode ter certeza que você vai perder e eu vou ali iludir o próximo jogador.
Mas não. Não é assim que funciona. Então, como eu não sou uma mulher inteligente que sabe jogar e compactuar com o esquema, eu aposto. Aposto, devagar, achando que estou no comando. Achando que está tudo sob controle e que, porque eu obviamente sei que a casa sempre ganha, eu não vou apostar todas as minhas fichas.
Aquela história de gente burra querendo ser esperta.
E eu já ouvi tantas histórias. Tantas velhinhas inocentes que perderam casa, carro, se endividaram até o topo nos bingos da vida. Todas muito inteligentes. Todas dizendo que sabem quando parar.
E eu sou mais uma dessas pessoas.
Não, não apostei em nenhum cassino em Vegas. Nunca joguei bingo, loteria, ou qualquer outro jogo em que se diz que a sorte é necessária.
O necessário é saber jogar e eu não sei. E eu sei que não sei, então não jogo.
Mas porque sou tão estúpida nesse outro “cassino”?
Porque não entendo quando vejo que a casa está prestes a ganhar? Porque aposto todas as minhas fichas, e perco toda a minha fortuna?
Sempre sabendo que depois disso ficarei miserável. Dando tapas na minha própria cara morrendo de vergonha daquele ato estúpido.
Então digo pras pessoas que eu sabia o que estava fazendo, que eram fichas falsas, que não apostei nada valioso.
Mas na realidade já perdi todas as fichas que eu poderia comprar com esse monte de sentimento que fica preso dentro de mim, tentando sair de qualquer forma. Pulando e empurrando meu estômago igual naqueles desenhos animados quando alguém engole um animal vivo.
Esse animal gigante dentro de mim que quer sair e agarrar as pessoas e trazê-las pra perto. Maldito animal que me faz comprar e apostar fichas e mais fichas e mais fichas mesmo sabendo que a casa sempre ganha.
E é até engraçado ver que eu pude passar por todos os cassinos iluminados, chamativos e lindos de Las Vegas e não parar em nenhum. Nem pra tentar, porque eu sei que não sei jogar. Mas nos cassinos que são os meus pseudo-amores eu paro, jogo, aposto. Tendo na mente que eu não tenho a mínima ideia do que estou fazendo.

Preciso aprender a  passar reto. Passar reto em qualquer tentativa de pseudo-amor, assim como faço com todas as máquinas de caça-níquel. 

Um comentário:

  1. deixes o animal sair Por que vais prender algo assim? desabafar as vezes é a forma de se livrar de algo que lhe faz mal...... Deixa sair!!!

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