sábado, 10 de agosto de 2013

let it be?

E aí me peguei querendo falar de você. Mas não tem mais pra quem. Todos os ouvidos se cansaram de ouvir seu nome, mas minha boca não se cansa de pronunciá-lo. Meu cérebro, que nem parece cérebro de tão burro, fica martelando seu nome e suas lembranças e palavras que se juntam em frases sobre você.
Você. E quem foi você? Um nada. E o que a gente teve? Nada. Algo tão pequeno, tão frágil, tão solúvel se comparado aos romances clássicos e às fotos de instagram dos finais de semana regados a champagne e excesso de doçura dos casais que mostram seu amor online.
Nada. Frágil como um recém-nascido. Uma criança que se cair morre. Um ser que nem tem a cabeça dura. Talvez fosse melhor se continuássemos com a moleira de bebê, ao invés dessa dureza toda, que se estende pelo corpo inteiro.
Sim. Um bebê frágil, pequeno, que não ocupa muito espaço, e pode até passar despercebido pelas multidões. Mas para a mãe, que o gerou, ele é gigante. Requer cuidados, noites acordada, preocupações mil. Ela o gerou e por isso não pode deixar nada acontecer com ele.
Eu gerei essa criança. Essa coisa frágil que foi o nosso relacionamento (?) e agora não consigo deixar ir. Let it be. Let it be. Let it be. Let it be.
Porque é que parece tão fácil pra todo mundo? Porque é que todo mundo tatua essa frase no braço e leva como se fosse um mantra, ou um estilo de vida? Simples: você simplesmente tatua e passa a “let it be” tudo na vida.
E eu, que poderia tatuar essa frase, fico aqui com medo de escrever esse texto e você ler e me achar louca. Sem entender que você não vai ler de jeito nenhum, porque mesmo se você lesse qualquer coisa, você não estaria interessado nos meus textos sobre você.
Porque você não abre meu blog, ou meu facebook, ou qualquer outra página sobre mim. Por mais que eu ainda esteja lá, você passa pelos meus posts como a gente passa pelos posts de pessoas que a gente adiciona no facebook sem saber o porquê. Damos uma lida por cima, sem nem prestar atenção no que ela quer dizer.
Não. Você não vai ler nada. Nem vai me aparecer amanhã e dizer que sentiu minha falta. E se meu celular vibrar, não vai ser você. Não vai. E porque, meu Deus, é tão difícil não deixar o coração acelerar a cada vez que ele vibra, só pra depois sentir aquele nó maldito na garganta quando percebo que na verdade não era você?

Let it be. 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Cassinos e pseudo-amores

Há mais ou menos dois meses eu fui pra Las Vegas. Passei alguns dias lá, mas não apostei em nenhum cassino. Isso porque eu sei que a casa sempre ganha. Todo mundo sabe disso. E o interessante é que eles não ganham na primeira vez que você aposta. Eles te fazem ganhar algumas vezes, ficar animado, apostar todas as suas fichas e aí... Pronto! Eles pegam todo o seu dinheiro.
E eu comecei a pensar, e entender que não são só os cassinos que são assim. Parece-me que todos os pseudo-amores que tive na vida agiram como um cassino.
É lógico que existem mulheres inteligentes que sabem quanto parar de jogar. Sair quando estão no auge, e assim não deixar a casa ganhar.
E eu já entendi que não sou uma dessas mulheres. Até porque fazer isso seria compactuar com o esquema dos cassinos. E eu, na minha ingenuidade monstra, acho que a casa devia simplesmente dizer: se você continuar apostando, eu vou levar tudo. Se você apostar todas as suas fichas, pode ter certeza que você vai perder e eu vou ali iludir o próximo jogador.
Mas não. Não é assim que funciona. Então, como eu não sou uma mulher inteligente que sabe jogar e compactuar com o esquema, eu aposto. Aposto, devagar, achando que estou no comando. Achando que está tudo sob controle e que, porque eu obviamente sei que a casa sempre ganha, eu não vou apostar todas as minhas fichas.
Aquela história de gente burra querendo ser esperta.
E eu já ouvi tantas histórias. Tantas velhinhas inocentes que perderam casa, carro, se endividaram até o topo nos bingos da vida. Todas muito inteligentes. Todas dizendo que sabem quando parar.
E eu sou mais uma dessas pessoas.
Não, não apostei em nenhum cassino em Vegas. Nunca joguei bingo, loteria, ou qualquer outro jogo em que se diz que a sorte é necessária.
O necessário é saber jogar e eu não sei. E eu sei que não sei, então não jogo.
Mas porque sou tão estúpida nesse outro “cassino”?
Porque não entendo quando vejo que a casa está prestes a ganhar? Porque aposto todas as minhas fichas, e perco toda a minha fortuna?
Sempre sabendo que depois disso ficarei miserável. Dando tapas na minha própria cara morrendo de vergonha daquele ato estúpido.
Então digo pras pessoas que eu sabia o que estava fazendo, que eram fichas falsas, que não apostei nada valioso.
Mas na realidade já perdi todas as fichas que eu poderia comprar com esse monte de sentimento que fica preso dentro de mim, tentando sair de qualquer forma. Pulando e empurrando meu estômago igual naqueles desenhos animados quando alguém engole um animal vivo.
Esse animal gigante dentro de mim que quer sair e agarrar as pessoas e trazê-las pra perto. Maldito animal que me faz comprar e apostar fichas e mais fichas e mais fichas mesmo sabendo que a casa sempre ganha.
E é até engraçado ver que eu pude passar por todos os cassinos iluminados, chamativos e lindos de Las Vegas e não parar em nenhum. Nem pra tentar, porque eu sei que não sei jogar. Mas nos cassinos que são os meus pseudo-amores eu paro, jogo, aposto. Tendo na mente que eu não tenho a mínima ideia do que estou fazendo.

Preciso aprender a  passar reto. Passar reto em qualquer tentativa de pseudo-amor, assim como faço com todas as máquinas de caça-níquel.