sábado, 6 de outubro de 2012


Não sei o que é. Sinto medo, muito medo. Sinto angústia. Aperto no coração. Vontade de dormir e acordar no útero da minha mãe. Vontade de sumir. Parece ridículo aos olhos externos. Dramático ao extremo, exagerado, ridículo.
Percebi que me conforto com o que não é possível, com o que com certeza ficarei eternamente almejando. Estou confortável amando, querendo, gostando, e sabendo que nunca vai se concretizar. Por outro lado, o talvez me atormenta. O talvez pode destruir o que eu tenho, e quero guardar, por mais que me machuque. Por mais que destrua o meu coração a cada espera. A cada mensagem que não chegou. A cada noite perdida.
Faz mal para mim. Faz mal. Faz sofrer. Sempre fez. E faz. E faz chorar e sempre fez. E sempre vai fazer, e isso é certo. Mas não quero perder. E não entendo porque não quero perder essas longas lágrimas. Sinto que são intrínsecas a mim. A lágrima já faz parte de mim. A dor já está instalada dentro do peito, e preciso sentí-la. Mas é a dor? Ou é o que acontece entre-dores? Ou é o que consigo imaginar entre-dores? Ou é o que eu fantasio e trago para a realidade, para suportar a dor?
Não sei o que necessito. Sei que necessito. E qualquer ameaça a isso que necessito, causa angústia maior ainda. Ameaça, que talvez tiraria do peito a dor. Preciso da dor? Não gosto disso. Não quero isso. Mas preciso. Quero. Gosto.  Preciso estar na vida dele, de qualquer forma. Doendo, machucando, arregaçando meu coração. Não queria ser assim, diferente dos outros, estranha. Mas não se brinca com necessidade.