É que o mundo é feito pra pares.
Dois lugares,
dois pedaços,
dois pratos,
duas taças.
Ou quatro, seis, oito.
O mundo é feito para pares e de vez em quando quem não tem par simplesmente não cabe.
Não tem espaço pra número ímpar.
De vez em quando, quando todos os pares estão por aí paralelos a si mesmos,
quem é um ponto não pode entrar no plano.
Eu não entendo nada de matemática,
mas sinto quando uma conta está fechada, e um número está sobrando.
Prestes a levar a divisão pras casas decimais
...o que ninguém gosta, na realidade.
sábado, 23 de novembro de 2013
sábado, 10 de agosto de 2013
let it be?
E aí me peguei querendo falar de
você. Mas não tem mais pra quem. Todos os ouvidos se cansaram de ouvir seu
nome, mas minha boca não se cansa de pronunciá-lo. Meu cérebro, que nem parece
cérebro de tão burro, fica martelando seu nome e suas lembranças e palavras que
se juntam em frases sobre você.
Você. E quem foi você? Um nada. E
o que a gente teve? Nada. Algo tão pequeno, tão frágil, tão solúvel se
comparado aos romances clássicos e às fotos de instagram dos finais de semana
regados a champagne e excesso de doçura dos casais que mostram seu amor online.
Nada. Frágil como um recém-nascido.
Uma criança que se cair morre. Um ser que nem tem a cabeça dura. Talvez fosse
melhor se continuássemos com a moleira de bebê, ao invés dessa dureza toda, que
se estende pelo corpo inteiro.
Sim. Um bebê frágil, pequeno, que
não ocupa muito espaço, e pode até passar despercebido pelas multidões. Mas
para a mãe, que o gerou, ele é gigante. Requer cuidados, noites acordada,
preocupações mil. Ela o gerou e por isso não pode deixar nada acontecer com
ele.
Eu gerei essa criança. Essa coisa
frágil que foi o nosso relacionamento (?) e agora não consigo deixar ir. Let it
be. Let it be. Let it be. Let
it be.
Porque é que parece tão fácil pra
todo mundo? Porque é que todo mundo tatua essa frase no braço e leva como se
fosse um mantra, ou um estilo de vida? Simples: você simplesmente tatua e passa
a “let it be” tudo na vida.
E eu, que poderia tatuar essa
frase, fico aqui com medo de escrever esse texto e você ler e me achar louca.
Sem entender que você não vai ler de jeito nenhum, porque mesmo se você lesse
qualquer coisa, você não estaria interessado nos meus textos sobre você.
Porque você não abre meu blog, ou
meu facebook, ou qualquer outra página sobre mim. Por mais que eu ainda esteja
lá, você passa pelos meus posts como a gente passa pelos posts de pessoas que a
gente adiciona no facebook sem saber o porquê. Damos uma lida por cima, sem nem
prestar atenção no que ela quer dizer.
Não. Você não vai ler nada. Nem
vai me aparecer amanhã e dizer que sentiu minha falta. E se meu celular vibrar,
não vai ser você. Não vai. E porque, meu Deus, é tão difícil não deixar o
coração acelerar a cada vez que ele vibra, só pra depois sentir aquele nó
maldito na garganta quando percebo que na verdade não era você?
Let it be.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Cassinos e pseudo-amores
Há
mais ou menos dois meses eu fui pra Las Vegas. Passei alguns dias lá, mas não
apostei em nenhum cassino. Isso porque eu sei que a casa sempre ganha. Todo
mundo sabe disso. E o interessante é que eles não ganham na primeira vez que
você aposta. Eles te fazem ganhar algumas vezes, ficar animado, apostar todas
as suas fichas e aí... Pronto! Eles pegam todo o seu dinheiro.
E
eu comecei a pensar, e entender que não são só os cassinos que são assim. Parece-me
que todos os pseudo-amores que tive na vida agiram como um cassino.
É
lógico que existem mulheres inteligentes que sabem quanto parar de jogar. Sair
quando estão no auge, e assim não deixar a casa ganhar.
E
eu já entendi que não sou uma dessas mulheres. Até porque fazer isso seria
compactuar com o esquema dos cassinos. E eu, na minha ingenuidade monstra, acho
que a casa devia simplesmente dizer: se você continuar apostando, eu vou levar
tudo. Se você apostar todas as suas fichas, pode ter certeza que você vai
perder e eu vou ali iludir o próximo jogador.
Mas
não. Não é assim que funciona. Então, como eu não sou uma mulher inteligente
que sabe jogar e compactuar com o esquema, eu aposto. Aposto, devagar, achando
que estou no comando. Achando que está tudo sob controle e que, porque eu
obviamente sei que a casa sempre ganha, eu não vou apostar todas as minhas
fichas.
Aquela
história de gente burra querendo ser esperta.
E
eu já ouvi tantas histórias. Tantas velhinhas inocentes que perderam casa,
carro, se endividaram até o topo nos bingos da vida. Todas muito inteligentes.
Todas dizendo que sabem quando parar.
E
eu sou mais uma dessas pessoas.
Não,
não apostei em nenhum cassino em Vegas. Nunca joguei bingo, loteria, ou qualquer
outro jogo em que se diz que a sorte é necessária.
O
necessário é saber jogar e eu não sei. E eu sei que não sei, então não jogo.
Mas
porque sou tão estúpida nesse outro “cassino”?
Porque
não entendo quando vejo que a casa está prestes a ganhar? Porque aposto todas
as minhas fichas, e perco toda a minha fortuna?
Sempre
sabendo que depois disso ficarei miserável. Dando tapas na minha própria cara
morrendo de vergonha daquele ato estúpido.
Então
digo pras pessoas que eu sabia o que estava fazendo, que eram fichas falsas,
que não apostei nada valioso.
Mas
na realidade já perdi todas as fichas que eu poderia comprar com esse monte de
sentimento que fica preso dentro de mim, tentando sair de qualquer forma.
Pulando e empurrando meu estômago igual naqueles desenhos animados quando
alguém engole um animal vivo.
Esse
animal gigante dentro de mim que quer sair e agarrar as pessoas e trazê-las pra
perto. Maldito animal que me faz comprar e apostar fichas e mais fichas e mais
fichas mesmo sabendo que a casa sempre ganha.
E
é até engraçado ver que eu pude passar por todos os cassinos iluminados,
chamativos e lindos de Las Vegas e não parar em nenhum. Nem pra tentar, porque
eu sei que não sei jogar. Mas nos cassinos que são os meus pseudo-amores eu
paro, jogo, aposto. Tendo na mente que eu não tenho a mínima ideia do que estou
fazendo.
Preciso
aprender a passar reto. Passar reto em
qualquer tentativa de pseudo-amor, assim como faço com todas as máquinas de
caça-níquel.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Porque?
Só queria entender porque eu coloco tanta
água em jarros quebrados. E olho, e eles estão perfeitos.
Pego qualquer fio de esperança e
transformo em um oceano de realizações. E qualquer bom dia se transforma em um
passeio de mãos dadas num bosque em Paris.
Mas eu nunca viverei isso. Nunca viverei
porque não é essa a realidade. Porque você me olhou, e achou que seria legal
ficar comigo por um tempo, mas tudo bem se isso não passar de uma aventura.
E como é que as pessoas vivem suportando
pequenas aventuras? E quando é que as pessoas passam a querer grandes histórias?
Pouca gente sabe, mas a história de amor
de Romeu e Julieta durou apenas quatro dias. E pouca gente nota, mas a história
de amor em “Titanic” se passou em apenas três dias. E porque é que a merda da
minha história precisa de anos pra se tornar algo real?
Quando foi que as pessoas inventaram a
regra de que comigo elas não iam querer nada de incrível?
Porque eu sou incrível. Sensacional. Sou
uma pessoa única e maravilhosa. Mas sempre para o próximo da fila.
É como se eu fosse uma torta de
chocolate. Incrível, maravilhosa, cheirosa, e aparentemente muito boa. Mas
ninguém se atreve a deliciar-se com a torta toda. Pegam um pedaço, dizem “é a
melhor torta que eu já comi na vida! Mas acho que já estou farto, vou deixar o
resto para outra pessoa”.
Eu, pessoalmente, quando como uma torta
de chocolate muito boa, não quero parar. Não entendo essas pessoas que comem
tortas de chocolate muito boas e deixam metade para trás.
Na verdade, parece-me que dizem que a
torta é incrível só pra agradar o padeiro. Mas convenhamos, se ninguém disser
ao padeiro que sua torta está sem açúcar, ou açucarada demais, ele nunca vai
mudar a receita.
Esses dias meu amigo me disse que eu
talvez seja um bolo sovado. Ou algo do tipo: um bolo que foi feito com a
receita certa, mas que por algum motivo acabou errado e sem graça.
Porque é que todas as pessoas ao meu
redor querem viver historias de amor? Porque é que todas as pessoas ao meu
redor tem quem elas querem, são felizes, amadas, fazem coisas ridículas umas
pras outras?
E quem não está vivendo nada disso, não
se importa. Simplesmente está satisfeito com a vida que leva, com as festas e
amigos e histórias engraçadas.
Quando foi que as pessoas pararam de
querer alguém pra esquentar o pé durante a noite? Não. Quando foi que as pessoas
pararam de querer meu pé esquentando o delas a noite?
Porque diabos eu tenho que complicar
tudo? Porque diabos eu tenho que me preocupar tanto? Porque diabos eu tenho que
exagerar tanto? Querer tanto? Sonhar tanto?
Porque eu não vejo grama onde há grama e
rosas onde há rosas? Porque eu olho um cacto e vejo um buquê de flores do
campo?
Meu Deus, porque é que eu sou a errada
por pensar em um futuro? Porque é que eu sou obrigada a pensar apenas no agora?
Porque eu tenho que ouvir, sempre, que
eu tenho que partir pra outra? Porque “essa” nunca dá certo?
Porque eu nunca sou suficiente? Porque
eu sempre estou na hora errada na vida dos outros?
Porque?
quarta-feira, 26 de junho de 2013
solidão
Sim, nós nascemos sozinhos e morremos sozinhos. Alguém por aí disse que os relacionamentos que construímos durante a vida são meras tentativas de fingir que temos companhia quando - na verdade - é só você com você mesmo.
Reclamar de solidão pode parecer inútil olhando deste ponto. Somente reclamar parece inútil, de todos os pontos. Mas é que de vez em quando precisamos falar.
E porque muitas vezes não tem ninguém para te ouvir, você escreve.
-
Tentando aliviar os pensamentos que vêem à mente a cada minuto, procuramos alguém pra nos ouvir. E ao ver que ninguém quer te ouvir, percebemos - mais uma vez - o quanto estamos sozinhos.
Não, ninguém quer uma pessoa triste por perto. Querem sempre amigos legais, pra cima, divertidos. Ninguém quer te ver triste porque pessoas tristes "enchem o saco".
Então é melhor sair, ir pra balada, beber, colocar um lindo sorriso amarelo no rosto e postar fotos no instagram de como sua vida é bela, mesmo que esteja morrendo por dentro.
É melhor dizer que tudo vai muito bem, obrigada, se não quiser perder uns bons (bons?) amigos.
Ninguém quer assistir suas lágrimas. Ninguém quer estar ao seu lado e ouvir seus soluços. É tão mais agradável o barulho das risadas, dos copos brindando. Tão mais encantador alguém que celebra a vida e passa por cada problema como se não fosse nada, e sempre tem uma frase de autoajuda/ auto-afirmação para espalhar por aí.
Mas não. Existem pessoas que simplesmente vão "envelhecer lendo Maiakóvski na loja de conveniência". Pessoas que vão enxergar o problema do tamanho que ele não é, vão pensar que os moinhos de vento são dragões. E se você (como eu) é uma dessas pessoas, você será sozinho.
Pode até pensar em se sentir querido quando alguém te aconselhar a sorrir mais: mas não se sinta. Isso é só porque gente triste não faz festa. Gente triste não dança. Gente triste não paga rodada de cerveja.
E quando você quiser reclamar da sua solidão: Voilà! Você se encontrará mais sozinho do que nunca.
E quando a vida pesar e você precisar de alguém que simplesmente te ouça e não te mande melhorar: Voilà! A resposta é clara e frequente:
"Procure um psicólogo!"
Mas que maravilha do capitalismo! Pagando, temos alguém para nos ouvir reclamar que não há ninguém para nos ouvir.
Reclamar de solidão pode parecer inútil olhando deste ponto. Somente reclamar parece inútil, de todos os pontos. Mas é que de vez em quando precisamos falar.
E porque muitas vezes não tem ninguém para te ouvir, você escreve.
-
Tentando aliviar os pensamentos que vêem à mente a cada minuto, procuramos alguém pra nos ouvir. E ao ver que ninguém quer te ouvir, percebemos - mais uma vez - o quanto estamos sozinhos.
Não, ninguém quer uma pessoa triste por perto. Querem sempre amigos legais, pra cima, divertidos. Ninguém quer te ver triste porque pessoas tristes "enchem o saco".
Então é melhor sair, ir pra balada, beber, colocar um lindo sorriso amarelo no rosto e postar fotos no instagram de como sua vida é bela, mesmo que esteja morrendo por dentro.
É melhor dizer que tudo vai muito bem, obrigada, se não quiser perder uns bons (bons?) amigos.
Ninguém quer assistir suas lágrimas. Ninguém quer estar ao seu lado e ouvir seus soluços. É tão mais agradável o barulho das risadas, dos copos brindando. Tão mais encantador alguém que celebra a vida e passa por cada problema como se não fosse nada, e sempre tem uma frase de autoajuda/ auto-afirmação para espalhar por aí.
Mas não. Existem pessoas que simplesmente vão "envelhecer lendo Maiakóvski na loja de conveniência". Pessoas que vão enxergar o problema do tamanho que ele não é, vão pensar que os moinhos de vento são dragões. E se você (como eu) é uma dessas pessoas, você será sozinho.
Pode até pensar em se sentir querido quando alguém te aconselhar a sorrir mais: mas não se sinta. Isso é só porque gente triste não faz festa. Gente triste não dança. Gente triste não paga rodada de cerveja.
E quando você quiser reclamar da sua solidão: Voilà! Você se encontrará mais sozinho do que nunca.
E quando a vida pesar e você precisar de alguém que simplesmente te ouça e não te mande melhorar: Voilà! A resposta é clara e frequente:
"Procure um psicólogo!"
Mas que maravilha do capitalismo! Pagando, temos alguém para nos ouvir reclamar que não há ninguém para nos ouvir.
domingo, 2 de junho de 2013
Sobre ser especial pra alguém
Aconteceu quando eu tinha 07 anos. Tinha acabado de sair da pré-escola, e estava na primeira série do ensino fundamental (antes dessa bagunça toda de "primeira série / segundo ano"). Fui a uma festa de aniversário da minha melhor-amiga-do-pré, que estava agora estudando em uma escola diferente da minha. Ela ainda era minha melhor amiga, e eu fui pra festa com toda expectativa que uma criança tem ao ir na festa de aniversário da melhor amiga. Chegando lá ela veio abrir a porta, e eu percebi um sorriso empolgado transformado em um sorriso amarelo de frustração. "Que bom que você veio!", ela disse. Eu entrei, e logo pensei que fosse só impressão minha.
No entanto, logo quando entrei na sala da casa dela, o primo (ou pai, ou irmão, ou tio, não me lembro) disse "Ah, que bom! A amiga que você estava esperando chegou!". E a resposta dela foi "Não, não era essa não...". O primo/irmão/pai/tio repreendeu, e ela logo tentou se redimir "Ah, mas eu queria muito que a Isabela viesse também!"
É estranho pensar que eu me lembro disso até hoje. Treze anos depois daquela festa de aniversário, ainda ouço claramente o "Não é ela não...".
Essa semana me mudei para um acampamento, onde ficarei durante todo o verão. Ao entrar no meu quarto (que vou dividir com uma menina que ainda não chegou) tinham três bilhetes em cima da mesa. A menina que veio me mostrar o quarto olhou-os, fez uma cara estranha e largou-os lá. Depois que ela foi embora eu li, e não eram pra mim. Os três bilhetes diziam "boas vindas" a minha roommate (que ainda não chegou).
Ontem uma das meninas veio me pedir desculpas, disse que elas não sabiam que eu chegaria agora, e por isso não fizeram bilhetinhos pra mim.
Eu sei que elas não fizeram por mal. E também sei que a minha amiga era apenas uma criança de sete anos e não queria me magoar. Mas esses acontecimentos simplesmente me mostram o quanto eu me importo, e o quando é bom ser especial pra alguém. O quanto é bom ser a pessoa "esperada" na festa, no acampamento, ou em casa mesmo. Aquela velha história de que o cachorro é o melhor amigo do homem, porque sempre vem correndo à porta lambê-lo quando ele chega exausto do trabalho. As pessoas dizem que ele é o melhor amigo simplesmente porque sentem falta de um amigo - humano - que faça isso.
E por mais que você seja bem-resolvida (o que não sou), independente (o que não sou) e auto-suficiente (o que não sou), penso que sempre vai existir um buraco a ser preenchido. Com um simples "boa noite", "bom dia", "sinto sua falta". Mas palavras sinceras, não robóticas. O bom dia do atendente da loja não conta: ele não se importa se você realmente está tendo um bom dia (aliás, se importa, porque quanto melhor seu dia, mais você vai gastar ali).
Um abraço, um beijo, uma conversa sem motivo algum. Conversar é o motivo. Falar, saber que a pessoa está ali para te ouvir, para falar com você sobre como o céu está cinza ou sobre como o tomate está caro. Alguém que te conte como foi o dia, mesmo que tenha sido a mesma rotina de sempre: sempre tem um café ou um tropeço a mais.
Alguém que perceba quando você não está nos seus melhores dias, e saiba te abraçar ou apertar a sua mão se perceber que você não quer falar sobre o assunto. Ou que saiba te ouvir por horas se for necessário. E alguém por quem você faria o mesmo. Alguém que não te canse, mesmo que você fique ouvindo sobre a mesma história por três horas. Alguém que olhe nos seus olhos e saiba exatamente o que seu sinal significa, e vice versa.
Às vezes a gente só precisa ser esperado na festa, ou bem vindo no acampamento.
Ou às vezes a gente só precisa de um abraço apertado, e alguém pra dizer que está tudo bem.
No entanto, logo quando entrei na sala da casa dela, o primo (ou pai, ou irmão, ou tio, não me lembro) disse "Ah, que bom! A amiga que você estava esperando chegou!". E a resposta dela foi "Não, não era essa não...". O primo/irmão/pai/tio repreendeu, e ela logo tentou se redimir "Ah, mas eu queria muito que a Isabela viesse também!"
É estranho pensar que eu me lembro disso até hoje. Treze anos depois daquela festa de aniversário, ainda ouço claramente o "Não é ela não...".
Essa semana me mudei para um acampamento, onde ficarei durante todo o verão. Ao entrar no meu quarto (que vou dividir com uma menina que ainda não chegou) tinham três bilhetes em cima da mesa. A menina que veio me mostrar o quarto olhou-os, fez uma cara estranha e largou-os lá. Depois que ela foi embora eu li, e não eram pra mim. Os três bilhetes diziam "boas vindas" a minha roommate (que ainda não chegou).
Ontem uma das meninas veio me pedir desculpas, disse que elas não sabiam que eu chegaria agora, e por isso não fizeram bilhetinhos pra mim.
Eu sei que elas não fizeram por mal. E também sei que a minha amiga era apenas uma criança de sete anos e não queria me magoar. Mas esses acontecimentos simplesmente me mostram o quanto eu me importo, e o quando é bom ser especial pra alguém. O quanto é bom ser a pessoa "esperada" na festa, no acampamento, ou em casa mesmo. Aquela velha história de que o cachorro é o melhor amigo do homem, porque sempre vem correndo à porta lambê-lo quando ele chega exausto do trabalho. As pessoas dizem que ele é o melhor amigo simplesmente porque sentem falta de um amigo - humano - que faça isso.
E por mais que você seja bem-resolvida (o que não sou), independente (o que não sou) e auto-suficiente (o que não sou), penso que sempre vai existir um buraco a ser preenchido. Com um simples "boa noite", "bom dia", "sinto sua falta". Mas palavras sinceras, não robóticas. O bom dia do atendente da loja não conta: ele não se importa se você realmente está tendo um bom dia (aliás, se importa, porque quanto melhor seu dia, mais você vai gastar ali).
Um abraço, um beijo, uma conversa sem motivo algum. Conversar é o motivo. Falar, saber que a pessoa está ali para te ouvir, para falar com você sobre como o céu está cinza ou sobre como o tomate está caro. Alguém que te conte como foi o dia, mesmo que tenha sido a mesma rotina de sempre: sempre tem um café ou um tropeço a mais.
Alguém que perceba quando você não está nos seus melhores dias, e saiba te abraçar ou apertar a sua mão se perceber que você não quer falar sobre o assunto. Ou que saiba te ouvir por horas se for necessário. E alguém por quem você faria o mesmo. Alguém que não te canse, mesmo que você fique ouvindo sobre a mesma história por três horas. Alguém que olhe nos seus olhos e saiba exatamente o que seu sinal significa, e vice versa.
Às vezes a gente só precisa ser esperado na festa, ou bem vindo no acampamento.
Ou às vezes a gente só precisa de um abraço apertado, e alguém pra dizer que está tudo bem.
terça-feira, 12 de março de 2013
A menina e o parquinho
A menina fica só ali, em pé naquele monte de areia. Ela odeia ficar em pé, ela nem gosta tanto de areia. Mas ela fica ali observando as outras crianças brincarem no parquinho. Todos se divertindo no balanço, no gira-gira, na gangorra. Todo mundo correndo feliz. Caindo, ralando o joelho, levantando, caindo de novo.
Ela tem uma fita de seda vermelha amarrada em sua cintura, e a outra ponta da fita está amarrada na grade do parquinho. É de cetim e preta, mas de tanto ela repetir que era seda vermelha, hoje ela acredita nisso.
Ela está presa por essa fita, e não pode ir brincar com os outros. Mas sempre passa um e fala:
"Ei, menina, porque você não desfaz esse nó? Suas mãos estão livres, é só desfazer aí, ó!".
Ela acha o conselho tolo e pensa: "mas que bobo, como que eu posso desfazer um nó com as mãos?".
E ela continua ali em pé. Ela faz, às vezes, maravilhosos castelos de areia. De vez em quando ela escreve com gravetos palavras lindas que o vento apaga.
Quase todo dia vem alguém falar com ela. Conversar, querendo que ela fique feliz. Mas ela se acha muito feliz ali, naquele monte de areia. "Você acha que aqui é o melhor lugar do parquinho? Você ainda não viu nada!".
Ela vê todas aquelas crianças correndo e brincando, mas acha que já faz tanto tempo que está ali, amarrada pela fita de seda-que-é-cetim, em cima do monte de areia, que nunca vai saber se equilibrar sem uma fita a puxando pra trás.
Vez ou outra ela olha pro lado e vê outras menininhas amarradas com a fita de cetim preta à mesma grade. Mas quando olha novamente, elas já desfizeram o nó com as mãos e estão na gangorra, no balanço, no gira-gira.
"Só eu que fico amarrada sempre, devo ser muito, muito especial!" - Ela pensa.
Depois pensa de novo: "Mas poxa, se eu sou tão especial, porque é que não estou gargalhando como as outras crianças do gira-gira, gangorra e balanço?". Aí ela pensa em desfazer o nó com as mãos. Mas como é que faz isso? Como é que se desfaz um nó, se nunca antes ela desfez um?
"Você também nunca tinha feito um castelo de areia antes!", diz um que passa.
"Ei, desata esse nó aqui pra mim!", ela pede pra outro.
Só que ela precisa entender que não dá. Que ela tem que saber que aquele laço é de cetim e não de seda. Que é preto e não vermelho. Que ir pra gangorra, balanço e gira-gira é muito melhor do que ficar ali em pé. Se alguém desatar o nó ela vai cair, e só vai levantar quando estiver amarrada de novo.
Porque foi ela que fez aquele nó. E só ela sabe com desfazê-lo. Ainda que não saiba.
Ela tem uma fita de seda vermelha amarrada em sua cintura, e a outra ponta da fita está amarrada na grade do parquinho. É de cetim e preta, mas de tanto ela repetir que era seda vermelha, hoje ela acredita nisso.
Ela está presa por essa fita, e não pode ir brincar com os outros. Mas sempre passa um e fala:
"Ei, menina, porque você não desfaz esse nó? Suas mãos estão livres, é só desfazer aí, ó!".
Ela acha o conselho tolo e pensa: "mas que bobo, como que eu posso desfazer um nó com as mãos?".
E ela continua ali em pé. Ela faz, às vezes, maravilhosos castelos de areia. De vez em quando ela escreve com gravetos palavras lindas que o vento apaga.
Quase todo dia vem alguém falar com ela. Conversar, querendo que ela fique feliz. Mas ela se acha muito feliz ali, naquele monte de areia. "Você acha que aqui é o melhor lugar do parquinho? Você ainda não viu nada!".
Ela vê todas aquelas crianças correndo e brincando, mas acha que já faz tanto tempo que está ali, amarrada pela fita de seda-que-é-cetim, em cima do monte de areia, que nunca vai saber se equilibrar sem uma fita a puxando pra trás.
Vez ou outra ela olha pro lado e vê outras menininhas amarradas com a fita de cetim preta à mesma grade. Mas quando olha novamente, elas já desfizeram o nó com as mãos e estão na gangorra, no balanço, no gira-gira.
"Só eu que fico amarrada sempre, devo ser muito, muito especial!" - Ela pensa.
Depois pensa de novo: "Mas poxa, se eu sou tão especial, porque é que não estou gargalhando como as outras crianças do gira-gira, gangorra e balanço?". Aí ela pensa em desfazer o nó com as mãos. Mas como é que faz isso? Como é que se desfaz um nó, se nunca antes ela desfez um?
"Você também nunca tinha feito um castelo de areia antes!", diz um que passa.
"Ei, desata esse nó aqui pra mim!", ela pede pra outro.
Só que ela precisa entender que não dá. Que ela tem que saber que aquele laço é de cetim e não de seda. Que é preto e não vermelho. Que ir pra gangorra, balanço e gira-gira é muito melhor do que ficar ali em pé. Se alguém desatar o nó ela vai cair, e só vai levantar quando estiver amarrada de novo.
Porque foi ela que fez aquele nó. E só ela sabe com desfazê-lo. Ainda que não saiba.
domingo, 20 de janeiro de 2013
Balle Balle and snow
Essa semana nevou! E como diz o amigo Fernanco Cacciolari, parece que jogaram açúcar de confeiteiro na cidade toda. É lindo! Mas também é complicado. A neve faz com que o asfalto fique escorregadio, então os carros podem derrapar, vão mais devagar pra evitar acidentes... Aí os ônibus atrasam. Mas tirando isso, é lindo! Cheguei em casa e fiz um boneco de neve com os meninos, além de fazer anjinho e guerra de bola de neve (o Joey acertou uma bolada na minha cara!). Mas foi só um dia de neve, e nos outros era só a que ainda não tinha derretido. O chão fica molhado por vários dias, porque a neve fica derrentendo.
Sexta-Feira fizemos mais uma noite dos brasileiros, e dessa vez fomos pra uma festa brasileira também. Voltamos cedo (1pm) pra poder pegar o último skytrain, e o último onibus até a estação de ônibus mais próxima de casa. Mas foi bem legal!
Sábado, finalmente, foi o dia da festa indiana. Era a comemoração do aniversário do sobrinho da Suby, mas também uma festa para comemorar (e agradecer) todas as coisas boas que aconteceram no ano anterior. Durante o dia, várias mulheres da família ficaram aqui na casa se arrumando, maquiando, fazendo penteados etc. Fomos para o salão da festa umas 18pm. Todas as mulheres indianas foram vestidas a caráter, uma com a roupa mais linda que a outra! E os homens estavam vestidos com roupas ocidentais, a maioria de terno e gravata, ou jeans e camisa. A festa era chique, estilo festas de 15 anos do Brasil!
Na entrada, eles serviam uns petiscos que não sei dizer o que eram, e um frango com molho curry. E além das bebidas comuns - alcoólicas, refrigerante - eles também serviam tchai com leite.
Após um tempo em que a família ficou na porta recebendo os convidados, começou a cerimônia. O irmão da Suby (pai do bebê) fez um pequeno discurso, sobre a felicidade de ser pai, e depois uma priminha da criança (de uns 7 anos) cantou algumas músicas em homenagem a ele (inclusive "forever youg").
Depois do discurso, foram colocadas várias caixas de plático uma em cima da outra do meio do salão, e em cima de tudo tipo uma "forma de bolo" com uma 'geleia' roxa no centro, com fogo. E as pessoas tinham que jogar pipoca e amendoim em volta dessa geleia - não me pergunte porque. Depois de um tempo queimando a pipoca e o amendoim, as pessoas começam a dançar em volta do fogo, até que o fogo é retirado e todos continuam dançando.
E eles continuam dançando - só músicas indianas - a noite inteira. Até os mais velhos dançam, e muito! E se você se senta um pouco, logo vem alguém te arrastar para a pista. Eles se divertem demaaaais, e as letras das músicas devem ser muito legais, porque todos cantam, uns para os outros, felizes e sorridentes!
A comida era indiana, arroz, feijão (diferente, óbvio), frango, salada, pão, etc... Tudo muito bom, tirando a minha extrema burrice de confundir uma pimenta verde com um pimentão, e colocá-la inteira na boca como se não houvesse amanhã. Comecei a chorar discretamente e desesperadamente, haha. Demoroooou pra parar de arder minha boca, mas depois de uns bons chocolates e cupcakes (afinal de contas, aniversário de criança é aniversário de criança em qualquer lugar do mundo), tudo se resolveu!
A festa acabou umas 2h30am, e o pessoal ainda veio aqui pra casa, e ficaram até 5am no bar lá embaixo (isso a Suby me contou, porque eu vim direto pra cama!).
Hoje de manhã fui na Igreja Batista aqui perto, todos foram hiper receptivos. O culto é bem parecido com o do Brasil, e pretendo continuar indo lá! :)
Enfim, os indianos são divertidíssimos, e todos uns amores! Sempre muito bom viver de perto o que eu só tinha visto pela TV, e entender melhor as diferentes culturas! See ya.
Sexta-Feira fizemos mais uma noite dos brasileiros, e dessa vez fomos pra uma festa brasileira também. Voltamos cedo (1pm) pra poder pegar o último skytrain, e o último onibus até a estação de ônibus mais próxima de casa. Mas foi bem legal!
Sábado, finalmente, foi o dia da festa indiana. Era a comemoração do aniversário do sobrinho da Suby, mas também uma festa para comemorar (e agradecer) todas as coisas boas que aconteceram no ano anterior. Durante o dia, várias mulheres da família ficaram aqui na casa se arrumando, maquiando, fazendo penteados etc. Fomos para o salão da festa umas 18pm. Todas as mulheres indianas foram vestidas a caráter, uma com a roupa mais linda que a outra! E os homens estavam vestidos com roupas ocidentais, a maioria de terno e gravata, ou jeans e camisa. A festa era chique, estilo festas de 15 anos do Brasil!
Na entrada, eles serviam uns petiscos que não sei dizer o que eram, e um frango com molho curry. E além das bebidas comuns - alcoólicas, refrigerante - eles também serviam tchai com leite.
Após um tempo em que a família ficou na porta recebendo os convidados, começou a cerimônia. O irmão da Suby (pai do bebê) fez um pequeno discurso, sobre a felicidade de ser pai, e depois uma priminha da criança (de uns 7 anos) cantou algumas músicas em homenagem a ele (inclusive "forever youg").
Depois do discurso, foram colocadas várias caixas de plático uma em cima da outra do meio do salão, e em cima de tudo tipo uma "forma de bolo" com uma 'geleia' roxa no centro, com fogo. E as pessoas tinham que jogar pipoca e amendoim em volta dessa geleia - não me pergunte porque. Depois de um tempo queimando a pipoca e o amendoim, as pessoas começam a dançar em volta do fogo, até que o fogo é retirado e todos continuam dançando.
E eles continuam dançando - só músicas indianas - a noite inteira. Até os mais velhos dançam, e muito! E se você se senta um pouco, logo vem alguém te arrastar para a pista. Eles se divertem demaaaais, e as letras das músicas devem ser muito legais, porque todos cantam, uns para os outros, felizes e sorridentes!
A comida era indiana, arroz, feijão (diferente, óbvio), frango, salada, pão, etc... Tudo muito bom, tirando a minha extrema burrice de confundir uma pimenta verde com um pimentão, e colocá-la inteira na boca como se não houvesse amanhã. Comecei a chorar discretamente e desesperadamente, haha. Demoroooou pra parar de arder minha boca, mas depois de uns bons chocolates e cupcakes (afinal de contas, aniversário de criança é aniversário de criança em qualquer lugar do mundo), tudo se resolveu!
A festa acabou umas 2h30am, e o pessoal ainda veio aqui pra casa, e ficaram até 5am no bar lá embaixo (isso a Suby me contou, porque eu vim direto pra cama!).
Hoje de manhã fui na Igreja Batista aqui perto, todos foram hiper receptivos. O culto é bem parecido com o do Brasil, e pretendo continuar indo lá! :)
Enfim, os indianos são divertidíssimos, e todos uns amores! Sempre muito bom viver de perto o que eu só tinha visto pela TV, e entender melhor as diferentes culturas! See ya.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Brasileiros, Downtown, Weekend
Como eu não tenho aula sexta feira (mas só até março) meu final de semana já começa na Quinta. Este foi o dia do "Happy Hour" da Kwantlen Students Association lá no campus! Estava super vazio, só estávamos nós (brasileiros), três indianos e a japonesinha da associação! Por este motivo (também) resolvemos mostrar nossos dotes na dança, e subimos no palco com a música "Olha a onda". É. Eu sou desengonçada e não percebo isso dançando.
Voltei de lá às 08pm. Cheguei no meu ponto de ônibus e percebi o quanto este bairro é escuro! Breu mesmo! A única luz que existe vem das casas. Acendi meu celular e apertei o passo, afinal de contas, síndrome de brasileira medrosa continua aqui no Canadá!
Na sexta-feira saí de casa às 16hs (realidade Canadense: se arrumar pra balada às 03 da tarde), em direção a casa do Demian. Lá fizemos um esquenta com toda a galera brasileira, e depois fomos para Downtown. O plano era entrar no "Republic", mas a hostess disse que o "After" do show da Lady Gaga seria lá, e por isso estava custando $30 pra entrar. No way, fomos pra "Caprice" (ladies free, gentlemen $15).
Para ir embora, eu e as outras meninas de Surrey tivemos a brilhante ideia de pegar um taxi. Meu pé tava arregaçado, estava MUITO frio, e íamos demorar umas 2 horas para chegar de transporte público. O taxi deveria custar - segundo o site - uns $70, mas depois de um rolo com o primeiro taxista que pegamos (ele queria nos levar no carro particular dele, e não no taxi, pois morava em Surrey e não daria tempo de voltar até Downtown só para buscar o carro... não quisemos, e mudamos de taxi), fomos para um segundo taxi, que era de um indiano que falava super enrolado (talvez de propósito) e ficou me irritando dizendo que o endereço que eu dei estava errado. Resumo da ópera: a corrida custou $120, e ninguém conseguia reclamar, porque ele ~fingia que~ não entendia.
Enfim. Domingo fomos patinar no gelo <eeeeee!>. Almoçamos em um shopping em Downtown, e ficamos o resto da tarde patinando. É incrível como em Vancouver as pessoas são lindas (diferente de Richmond e Surrey!). Após a patinação, fomos de novo para a casa do Demian (coitado!) e ficamos lá papeando e passando o tempo. Para conseguir pegar meu último ônibus em Surrey (às 09pm) eu deveria sair de Richmond às 07h15pm, o que não aconteceu. Acabei dormindo lá (junto com a gabi e a bianca) para voltar hoje de manhã.
Hoje passei vontade de comer costela com mandioca, que minha mãe me mostrou no skype, experimentei as roupas para a festa indiana, e fiz uma mini faxina aqui!
Notas mentais:
-Nunca mais voltar de taxi de Downtown
-Comprar uma lanterna
-Lamentar porque meu ônibus para de passar às 09pm.
Voltei de lá às 08pm. Cheguei no meu ponto de ônibus e percebi o quanto este bairro é escuro! Breu mesmo! A única luz que existe vem das casas. Acendi meu celular e apertei o passo, afinal de contas, síndrome de brasileira medrosa continua aqui no Canadá!
Na sexta-feira saí de casa às 16hs (realidade Canadense: se arrumar pra balada às 03 da tarde), em direção a casa do Demian. Lá fizemos um esquenta com toda a galera brasileira, e depois fomos para Downtown. O plano era entrar no "Republic", mas a hostess disse que o "After" do show da Lady Gaga seria lá, e por isso estava custando $30 pra entrar. No way, fomos pra "Caprice" (ladies free, gentlemen $15).
Para ir embora, eu e as outras meninas de Surrey tivemos a brilhante ideia de pegar um taxi. Meu pé tava arregaçado, estava MUITO frio, e íamos demorar umas 2 horas para chegar de transporte público. O taxi deveria custar - segundo o site - uns $70, mas depois de um rolo com o primeiro taxista que pegamos (ele queria nos levar no carro particular dele, e não no taxi, pois morava em Surrey e não daria tempo de voltar até Downtown só para buscar o carro... não quisemos, e mudamos de taxi), fomos para um segundo taxi, que era de um indiano que falava super enrolado (talvez de propósito) e ficou me irritando dizendo que o endereço que eu dei estava errado. Resumo da ópera: a corrida custou $120, e ninguém conseguia reclamar, porque ele ~fingia que~ não entendia.
Enfim. Domingo fomos patinar no gelo <eeeeee!>. Almoçamos em um shopping em Downtown, e ficamos o resto da tarde patinando. É incrível como em Vancouver as pessoas são lindas (diferente de Richmond e Surrey!). Após a patinação, fomos de novo para a casa do Demian (coitado!) e ficamos lá papeando e passando o tempo. Para conseguir pegar meu último ônibus em Surrey (às 09pm) eu deveria sair de Richmond às 07h15pm, o que não aconteceu. Acabei dormindo lá (junto com a gabi e a bianca) para voltar hoje de manhã.
Hoje passei vontade de comer costela com mandioca, que minha mãe me mostrou no skype, experimentei as roupas para a festa indiana, e fiz uma mini faxina aqui!
Notas mentais:
-Nunca mais voltar de taxi de Downtown
-Comprar uma lanterna
-Lamentar porque meu ônibus para de passar às 09pm.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
03 - Primeiro dia na Universidade
Hoje foi meu primeiro dia na Universidade. Até março só terei uma matéria a tarde, todos os dias. Peguei o ônibus às 10:40, e em dez minutos estava na Kwantlen. O ônibus estava vazio, e passou no ponto exatamente na hora que mostrava na internet.
Chegando na Kwantlen, fui direto à livraria, e lá já encontrei o pessoal do CsF. Comprei só o livro da primeira matéria, que custou $52 + tax. Caro.
Às 13h fui para a aula, e me surpreendi com a quantidade de chineses! Na sala tinham muitos brasileiros e chineses, uma japonesa, um indiano e um árabe. A aula foi só uma apresentação, mas já deu para sentir que a professora é um pouco brava e exigente, e que teremos bastante trabalho pela frente.
A professora disse que não sabe nada sobre o Brasil, e o garoto indiano que eu entrevistei (precisávamos entrevistar um ao outro, e depois apresentar o colega para a classe) também não sabia nada sobre o Brasil. Aliás, meu host father achava que a capital do Brasil era o Rio de Janeiro! Haha.
Depois da aula eu peguei o ônibus para voltar para casa e, como nada é perfeito, me perdi quando desci. Desci um ponto a frente do correto, e fiquei andando de um lado para o outro procurando a ruazinha que preciso entrar para chegar em casa... Fiquei com medo de escurecer, pois já eram quase 17h, e as ruas aqui não tem iluminação! Depois de um tempo rodando eu achei a entrada, e deu tudo certo.
Cheguei em casa e a avó fofíssima tinha feito arroz e feijão para mim, e ela me disse que estava preocupada, que queria que eu me sentisse em casa, e por isso tinha cozinhado o que eu como no meu país (minha 'mãe' tinha me perguntado isso ontem). Óbvio que não era o mesmo tempero, o feijão estava com tempero indiano, e apimentado... mas estava uma delícia!
Ontem eu fui para Downtown Vancouver com a minha família. Eles me levaram para conhecer o maior parque daqui (1º maior da América do Norte - só perde para o Central Park), e depois fomos para a casa do irmão da Suby (minha 'mãe'): um apartamento pequeno, uns 40 m², mas com uma vista extraordinária da cidade. O apartamento é rodeado por vidros, então a vista é fantástica!
Voltando a Surrey, fomos ao Earls (http://www.earls.ca/), e eu comi um Fettucine Alfredo muito bom! E o melhor: minha mãe não deixou eu pagar! haha.
That's all folks!
Chegando na Kwantlen, fui direto à livraria, e lá já encontrei o pessoal do CsF. Comprei só o livro da primeira matéria, que custou $52 + tax. Caro.
Às 13h fui para a aula, e me surpreendi com a quantidade de chineses! Na sala tinham muitos brasileiros e chineses, uma japonesa, um indiano e um árabe. A aula foi só uma apresentação, mas já deu para sentir que a professora é um pouco brava e exigente, e que teremos bastante trabalho pela frente.
A professora disse que não sabe nada sobre o Brasil, e o garoto indiano que eu entrevistei (precisávamos entrevistar um ao outro, e depois apresentar o colega para a classe) também não sabia nada sobre o Brasil. Aliás, meu host father achava que a capital do Brasil era o Rio de Janeiro! Haha.
Depois da aula eu peguei o ônibus para voltar para casa e, como nada é perfeito, me perdi quando desci. Desci um ponto a frente do correto, e fiquei andando de um lado para o outro procurando a ruazinha que preciso entrar para chegar em casa... Fiquei com medo de escurecer, pois já eram quase 17h, e as ruas aqui não tem iluminação! Depois de um tempo rodando eu achei a entrada, e deu tudo certo.
Cheguei em casa e a avó fofíssima tinha feito arroz e feijão para mim, e ela me disse que estava preocupada, que queria que eu me sentisse em casa, e por isso tinha cozinhado o que eu como no meu país (minha 'mãe' tinha me perguntado isso ontem). Óbvio que não era o mesmo tempero, o feijão estava com tempero indiano, e apimentado... mas estava uma delícia!
Ontem eu fui para Downtown Vancouver com a minha família. Eles me levaram para conhecer o maior parque daqui (1º maior da América do Norte - só perde para o Central Park), e depois fomos para a casa do irmão da Suby (minha 'mãe'): um apartamento pequeno, uns 40 m², mas com uma vista extraordinária da cidade. O apartamento é rodeado por vidros, então a vista é fantástica!
Voltando a Surrey, fomos ao Earls (http://www.earls.ca/), e eu comi um Fettucine Alfredo muito bom! E o melhor: minha mãe não deixou eu pagar! haha.
That's all folks!
domingo, 6 de janeiro de 2013
02
Hoje o dia foi muito divertido!
Fui com a Suby pegar, na casa da irmã dela, em Burnaby, coisas para decorar a festa de um sobrinho. Depois, eu, Suby e sua cunhada fomos às compras, para mais decoração. Chegando em casa, ajudei-as com a montagem junto com as crianças!
A noite, antes do jantar, fiquei ouvindo música com Suby e Kish. Mostrei a eles diferentes tipos de músicas brasileiras, e eles me mostraram algumas músicas indianas. Depois, enquanto Kish preparava o peixe para o jantar, Suby me ensinou a dançar como as indianas, e eu a ensinei a sambar!
Jantamos, e então, jogamos cartas.
Mostrei pra eles também cenas da novela "Caminho das Índias", e eles ficaram surpresos com a semelhança da nossa novela, com as novelas com atores e atrizes indianas!
Está tudo lindo! Segunda-Feira começam as aulas! Vambora :)
Fui com a Suby pegar, na casa da irmã dela, em Burnaby, coisas para decorar a festa de um sobrinho. Depois, eu, Suby e sua cunhada fomos às compras, para mais decoração. Chegando em casa, ajudei-as com a montagem junto com as crianças!
A noite, antes do jantar, fiquei ouvindo música com Suby e Kish. Mostrei a eles diferentes tipos de músicas brasileiras, e eles me mostraram algumas músicas indianas. Depois, enquanto Kish preparava o peixe para o jantar, Suby me ensinou a dançar como as indianas, e eu a ensinei a sambar!
Jantamos, e então, jogamos cartas.
Mostrei pra eles também cenas da novela "Caminho das Índias", e eles ficaram surpresos com a semelhança da nossa novela, com as novelas com atores e atrizes indianas!
Está tudo lindo! Segunda-Feira começam as aulas! Vambora :)
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Diário de Bordo 01
Acabei de chegar no Canadá. Depois de uma longa viagem, de 25h30, finalmente estou na minha nova casa. Saí do Aeroporto de Guarulhos às 23h de ontem (02/01), o que equivale a 17h55 no horário da cidade que estou hoje (Surrey). Fui de Aeromexico até a Cidade do México. Foram 09 horas de vôo, e não foi muito cansativo porque dormi quase o tempo todo. E a comida era muito boa: foi servido jantar e café da manhã. Cheguei no México às 05h30 (horário local), passei pela imigração, que foi tranquila, mas tive que pegar minha bagagem e depois despachá-la novamente. Esperei até às 09h50 para pegar o próximo vôo para Las Vegas. Tentei comprar um capuccino no Starbucks, mas como eu só tinha uma nota de $100, isso não foi possível (só aceitavam notas de até $20).
O segundo vôo também foi operado pela Aeromexico (05hs), e também teve um lanche muito bom! Até aí tudo certo. Eu ia chegar em Las Vegas às 12h, e teria que pegar o último vôo às 13h30. Chegando lá a vista da janela do avião é um show à parte. Incrível! Um deserto gigantesco, que mais parece uma pintura, e depois, só quando o avião já está pousando, consegui ver as casas, e depois prédios. Em um dos prédios, estava escrito no teto "Welcome to Las Vegas", exatamente para os visitantes que chegam pelo ar.
A imigração nos Estados Unidos também foi tranquila. Mais uma vez tive que pegar minhas malas e despachá-las, e neste momento soube que meu vôo estava quase 03h atrasado. O que iria sair às 13h30, saiu às 16h20.
Fiquei rodando no aeroporto, consegui comprar meu capuccino (queimei a língua!) e um brownie, e esperei, esperei... Até que embarquei, agora pela westjet, para Vancouver. O vôo foi rápido (2h20min), deram somente um cookie e suco, e logo cheguei ao local onde vou viver nos próximos 16 meses. Peguei as malas, fui para a imigração (um pouco mais demorada), saí do aeroporto e me deparei com o frio, e finalmente peguei um taxi... Eu estava morrendo de fome, aquela fome que dá até enjôo! E até o cheiro do taxi me enjoou.
Chegando na casa, por fim, me surpreendi e fiquei muito feliz! A família é uma graça! A mãe é muito carinhosa, e as crianças muito educadas! Eles me esperaram para jantar, e a comida - indiana - estava deliciosa! Experimentei também o Eggnog (http://en.wikipedia.org/wiki/Eggnog) uma bebida típica daqui, muito consumida no natal! Uma delícia! Superei meu maior medo até agora: entendi tudo o que eles disseram, e não fiquei sem me comunicar!
Logo trarei mais novidades!
O segundo vôo também foi operado pela Aeromexico (05hs), e também teve um lanche muito bom! Até aí tudo certo. Eu ia chegar em Las Vegas às 12h, e teria que pegar o último vôo às 13h30. Chegando lá a vista da janela do avião é um show à parte. Incrível! Um deserto gigantesco, que mais parece uma pintura, e depois, só quando o avião já está pousando, consegui ver as casas, e depois prédios. Em um dos prédios, estava escrito no teto "Welcome to Las Vegas", exatamente para os visitantes que chegam pelo ar.
A imigração nos Estados Unidos também foi tranquila. Mais uma vez tive que pegar minhas malas e despachá-las, e neste momento soube que meu vôo estava quase 03h atrasado. O que iria sair às 13h30, saiu às 16h20.
Fiquei rodando no aeroporto, consegui comprar meu capuccino (queimei a língua!) e um brownie, e esperei, esperei... Até que embarquei, agora pela westjet, para Vancouver. O vôo foi rápido (2h20min), deram somente um cookie e suco, e logo cheguei ao local onde vou viver nos próximos 16 meses. Peguei as malas, fui para a imigração (um pouco mais demorada), saí do aeroporto e me deparei com o frio, e finalmente peguei um taxi... Eu estava morrendo de fome, aquela fome que dá até enjôo! E até o cheiro do taxi me enjoou.
Chegando na casa, por fim, me surpreendi e fiquei muito feliz! A família é uma graça! A mãe é muito carinhosa, e as crianças muito educadas! Eles me esperaram para jantar, e a comida - indiana - estava deliciosa! Experimentei também o Eggnog (http://en.wikipedia.org/wiki/Eggnog) uma bebida típica daqui, muito consumida no natal! Uma delícia! Superei meu maior medo até agora: entendi tudo o que eles disseram, e não fiquei sem me comunicar!
Logo trarei mais novidades!
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