sexta-feira, 28 de outubro de 2011

"Capitães da areia" - filme de Cecília Amado

Assisti hoje ao filme "Capitães da areia" (baseado na obra de Jorge Amado, e dirigido por Cecília Amado, neta do autor). A sala de cinema estava quase vazia. Apesar de ser algo que acontece frequentemente com filmes brasileiros, pensei que com "Capitães da areia" seria diferente, já que ele é baseado em uma obra famosa que já foi  (não sei se é ainda) leitura obrigatória para alguns vestibulares.
Mas não. Eram, no total, seis pessoas na sala (um casal, eu e meus três amigos). Fiquei pensando em tantos filmes americanos que estão sempre lotados. Filmes para que, muitas vezes, não conseguimos comprar ingressos porque estes já se esgotaram.
Não quero criticar o cinema americano, nem nenhum filme em especial, mas acho, realmente, que muitos brasileiros deveriam assistir a "Capitães da areia", ao invés de ficarem somente nas comédias românticas estadunidenses. Não somente porque ele é baseado em um livro de um dos maiores e melhores escritores brasileiros, mas principalmente pela mensagem que passa.
O filme conta a história de um grupo de meninos de rua da Bahia, os chamados "Capitães da areia", que vivem juntos em um "trapicho" e vivem de roubos. O mais interessante, é que nos envolvemos com a história, passamos a nos sentir como parte do grupo e, a partir daí, não vemos o filme julgando os meninos como marginais, ladrões, mas apenas como crianças que têm sonhos, sentimentos. Assistimos ao filme olhando com compaixão para aqueles meninos que, provavelmente, se víssemos na rua, não teríamos ideia do que representam.
É preciso perceber que os "capitães da areia" representam todos os meninos que não têm boas oportunidades na vida. Nem boa formação. Que roubam, brigam, bebem, fumam, porque é isso que lhes resta. Porque estão inseridos em um sistema injusto, que os obriga a fazer o que fazem e, ao mesmo tempo, faz com que os outros (os menos necessitados) os vejam como marginais. Sistema que valoriza apenas os filmes americanos, super-produzidos, com milhões de gastos, artistas bonitos... e desvaloriza filmes que fazem com que as pessoas comecem a pensar  que algo no mundo pode estar errado. Sistema certamente falho. Que sempre se mostrou falho para os mais pobres,  e que vem se mostrando falho para os mais ricos durante os últimos anos, por meio de tantas crises.
Enfim, vemos o filme e passamos a acreditar no samba que está na trilha sonora: "É proibido sonhar, então me deixe o direito de sambar". Sambar, aqui, pode significar N coisas. Mas sonhar, significa uma só: o que um dos personagens, o Professor, faz no final do filme, ao prever o futuro de cada um dos colegas. Um, seria dono de cabaré. Outro, seria cangaceiro. Ele mesmo, seria artista de sucesso. No entanto, na sociedade em que eles vivem, é proibido sonhar. Os "Capitães da areia" continuariam, muito provavelmente, apenas sambando na vida.

sábado, 15 de outubro de 2011

Sobre estudar jornalismo

É sempre a mesma história:
"Nossa, tá estudando fora? Que legal! O que você estuda?"
"Faço jornalismo!!"
"Ah..."
E as caras de 'paisagem' dominam a conversa.
São sempre as mesmas respostas, falando sobre a não-obrigatoriedade do diploma, os salários ruins, a falta de status da profissão...
Temos que buscar incentivo para continuar estudando apenas dentro de nós mesmos. O curso realmente não é dos mais difíceis. Estudávamos muito mais na escola. As matérias são, teoricamente, mais "leves". Nada de cálculos intermináveis, extrair a raiz quíntupla da matriz do número imaginário, ou coisas do tipo. Só muuuitos textos que, se você não ler, conseguirá fazer as provas e ser aprovado.
Então, penso que o melhor jeito de aproveitar o curso, e tornar-se um jornalista de verdade, é fazendo tudo que der. Lendo todos os textos, mesmo que não sejam obrigatórios. Prestando atenção no professor, mesmo que ele não seja dos melhores, e sempre tentar extrair 'algo' do que ele diz. Pedindo dicas de livros, jornais, sites, blogs, revistas, rótulos de shampoo... Enfim, fazendo muito além do que o necessário. Contrariando Mogli, o extraordinário nunca é demais para um (quase) jornalista.
Ainda concordo com a obrigatoriedade do diploma, porque penso que só cursando jornalismo podemos explorar este meio completamente. A faculdade te dá a direção, e você deve trilhar o caminho sozinho. Se não quiser trilhar, tudo bem. Será um profissional fraco ao se formar. A verdade é: devemos estudar a teoria jornalística durante a faculdade.
Muitos dizem que a prática é o que conta. Siiiim! No jornalismo, um eterno estudante que não se dedica à prática também não se torna um profissional de ponta. Mas um jornalista que só tem experiência prática torna-se um técnico em apuração/investigação/redação. Não há profundidade. Não há opinião verdadeira, apenas obediência à editoria.
A junção da teoria e da prática criam o JORNALISTA propriamente dito. Espero que eu me torne uma profissional bastante prática, sim. Mas espero ainda mais que eu tenha conteúdo teórico. Portanto, estudo jornalismo mesmo sem a obrigatoriedade do diploma.