Cada vez percebo mais que nunca estamos onde gostaríamos de estar. Sempre esperamos por "aquela festa", "aquela viagem", "aquele final de semana"; ou sempre estamos relembrando o "jantar incrível de ontem", o "cruzeiro fantástico do mês passado", etc etc etc...
A longo prazo, estudamos para passar no vestibular. Passamos, e fazemos a faculdade pensando no bom emprego que teremos. E depois a pós-graduação. E depois o mestrado, e o doutorado, e o pós-doutorado, e... Então, trabalhamos pensando na família que vamos formar. Depois, todos passam pela rotina esperando as férias, e por aí vai.
O engraçado é que quando estamos nas "festas", "férias, "viagens", "jantares", ficamos sempre querendo que algo aconteça. Ou é que a comida venha logo, ou a peça, ou que aquela pessoa chegue logo, ou queremos mesmo é voltar pra casa e dormir.
Falo no plural, mas será que todos são assim? Ou será que só eu, mesma, que passo o tempo todo esperando? E aí, me questiono, quando vou parar de esperar? Só quando não tiver mais o que acontecer?
Queria viver em lugares onde eu realmente gostaria de estar. Com as pessoas que eu gostaria de estar. Mas vejo apenas momentos isolados da minha vida em que passei por isso.
Nessa insatisfação eu encontro um "motivo" para continuar. Afinal, logo chega sexta. Afinal, logo chega dezembro. Afinal, logo chega... o quê? Na verdade, nunca chega.
Enfim. Não vejo forma de mudar. E nem de permanecer. Então, eu passo 'agosto esperando setembro, se bem me lembro.'
sábado, 26 de novembro de 2011
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
"Capitães da areia" - filme de Cecília Amado
Assisti hoje ao filme "Capitães da areia" (baseado na obra de Jorge Amado, e dirigido por Cecília Amado, neta do autor). A sala de cinema estava quase vazia. Apesar de ser algo que acontece frequentemente com filmes brasileiros, pensei que com "Capitães da areia" seria diferente, já que ele é baseado em uma obra famosa que já foi (não sei se é ainda) leitura obrigatória para alguns vestibulares.
Mas não. Eram, no total, seis pessoas na sala (um casal, eu e meus três amigos). Fiquei pensando em tantos filmes americanos que estão sempre lotados. Filmes para que, muitas vezes, não conseguimos comprar ingressos porque estes já se esgotaram.
Não quero criticar o cinema americano, nem nenhum filme em especial, mas acho, realmente, que muitos brasileiros deveriam assistir a "Capitães da areia", ao invés de ficarem somente nas comédias românticas estadunidenses. Não somente porque ele é baseado em um livro de um dos maiores e melhores escritores brasileiros, mas principalmente pela mensagem que passa.
O filme conta a história de um grupo de meninos de rua da Bahia, os chamados "Capitães da areia", que vivem juntos em um "trapicho" e vivem de roubos. O mais interessante, é que nos envolvemos com a história, passamos a nos sentir como parte do grupo e, a partir daí, não vemos o filme julgando os meninos como marginais, ladrões, mas apenas como crianças que têm sonhos, sentimentos. Assistimos ao filme olhando com compaixão para aqueles meninos que, provavelmente, se víssemos na rua, não teríamos ideia do que representam.
É preciso perceber que os "capitães da areia" representam todos os meninos que não têm boas oportunidades na vida. Nem boa formação. Que roubam, brigam, bebem, fumam, porque é isso que lhes resta. Porque estão inseridos em um sistema injusto, que os obriga a fazer o que fazem e, ao mesmo tempo, faz com que os outros (os menos necessitados) os vejam como marginais. Sistema que valoriza apenas os filmes americanos, super-produzidos, com milhões de gastos, artistas bonitos... e desvaloriza filmes que fazem com que as pessoas comecem a pensar que algo no mundo pode estar errado. Sistema certamente falho. Que sempre se mostrou falho para os mais pobres, e que vem se mostrando falho para os mais ricos durante os últimos anos, por meio de tantas crises.
Enfim, vemos o filme e passamos a acreditar no samba que está na trilha sonora: "É proibido sonhar, então me deixe o direito de sambar". Sambar, aqui, pode significar N coisas. Mas sonhar, significa uma só: o que um dos personagens, o Professor, faz no final do filme, ao prever o futuro de cada um dos colegas. Um, seria dono de cabaré. Outro, seria cangaceiro. Ele mesmo, seria artista de sucesso. No entanto, na sociedade em que eles vivem, é proibido sonhar. Os "Capitães da areia" continuariam, muito provavelmente, apenas sambando na vida.
Mas não. Eram, no total, seis pessoas na sala (um casal, eu e meus três amigos). Fiquei pensando em tantos filmes americanos que estão sempre lotados. Filmes para que, muitas vezes, não conseguimos comprar ingressos porque estes já se esgotaram.
Não quero criticar o cinema americano, nem nenhum filme em especial, mas acho, realmente, que muitos brasileiros deveriam assistir a "Capitães da areia", ao invés de ficarem somente nas comédias românticas estadunidenses. Não somente porque ele é baseado em um livro de um dos maiores e melhores escritores brasileiros, mas principalmente pela mensagem que passa.
O filme conta a história de um grupo de meninos de rua da Bahia, os chamados "Capitães da areia", que vivem juntos em um "trapicho" e vivem de roubos. O mais interessante, é que nos envolvemos com a história, passamos a nos sentir como parte do grupo e, a partir daí, não vemos o filme julgando os meninos como marginais, ladrões, mas apenas como crianças que têm sonhos, sentimentos. Assistimos ao filme olhando com compaixão para aqueles meninos que, provavelmente, se víssemos na rua, não teríamos ideia do que representam.
É preciso perceber que os "capitães da areia" representam todos os meninos que não têm boas oportunidades na vida. Nem boa formação. Que roubam, brigam, bebem, fumam, porque é isso que lhes resta. Porque estão inseridos em um sistema injusto, que os obriga a fazer o que fazem e, ao mesmo tempo, faz com que os outros (os menos necessitados) os vejam como marginais. Sistema que valoriza apenas os filmes americanos, super-produzidos, com milhões de gastos, artistas bonitos... e desvaloriza filmes que fazem com que as pessoas comecem a pensar que algo no mundo pode estar errado. Sistema certamente falho. Que sempre se mostrou falho para os mais pobres, e que vem se mostrando falho para os mais ricos durante os últimos anos, por meio de tantas crises.
Enfim, vemos o filme e passamos a acreditar no samba que está na trilha sonora: "É proibido sonhar, então me deixe o direito de sambar". Sambar, aqui, pode significar N coisas. Mas sonhar, significa uma só: o que um dos personagens, o Professor, faz no final do filme, ao prever o futuro de cada um dos colegas. Um, seria dono de cabaré. Outro, seria cangaceiro. Ele mesmo, seria artista de sucesso. No entanto, na sociedade em que eles vivem, é proibido sonhar. Os "Capitães da areia" continuariam, muito provavelmente, apenas sambando na vida.
sábado, 15 de outubro de 2011
Sobre estudar jornalismo
É sempre a mesma história:
"Nossa, tá estudando fora? Que legal! O que você estuda?"
"Faço jornalismo!!"
"Ah..."
E as caras de 'paisagem' dominam a conversa.
São sempre as mesmas respostas, falando sobre a não-obrigatoriedade do diploma, os salários ruins, a falta de status da profissão...
Temos que buscar incentivo para continuar estudando apenas dentro de nós mesmos. O curso realmente não é dos mais difíceis. Estudávamos muito mais na escola. As matérias são, teoricamente, mais "leves". Nada de cálculos intermináveis, extrair a raiz quíntupla da matriz do número imaginário, ou coisas do tipo. Só muuuitos textos que, se você não ler, conseguirá fazer as provas e ser aprovado.
Então, penso que o melhor jeito de aproveitar o curso, e tornar-se um jornalista de verdade, é fazendo tudo que der. Lendo todos os textos, mesmo que não sejam obrigatórios. Prestando atenção no professor, mesmo que ele não seja dos melhores, e sempre tentar extrair 'algo' do que ele diz. Pedindo dicas de livros, jornais, sites, blogs, revistas, rótulos de shampoo... Enfim, fazendo muito além do que o necessário. Contrariando Mogli, o extraordinário nunca é demais para um (quase) jornalista.
Ainda concordo com a obrigatoriedade do diploma, porque penso que só cursando jornalismo podemos explorar este meio completamente. A faculdade te dá a direção, e você deve trilhar o caminho sozinho. Se não quiser trilhar, tudo bem. Será um profissional fraco ao se formar. A verdade é: devemos estudar a teoria jornalística durante a faculdade.
Muitos dizem que a prática é o que conta. Siiiim! No jornalismo, um eterno estudante que não se dedica à prática também não se torna um profissional de ponta. Mas um jornalista que só tem experiência prática torna-se um técnico em apuração/investigação/redação. Não há profundidade. Não há opinião verdadeira, apenas obediência à editoria.
A junção da teoria e da prática criam o JORNALISTA propriamente dito. Espero que eu me torne uma profissional bastante prática, sim. Mas espero ainda mais que eu tenha conteúdo teórico. Portanto, estudo jornalismo mesmo sem a obrigatoriedade do diploma.
"Nossa, tá estudando fora? Que legal! O que você estuda?"
"Faço jornalismo!!"
"Ah..."
E as caras de 'paisagem' dominam a conversa.
São sempre as mesmas respostas, falando sobre a não-obrigatoriedade do diploma, os salários ruins, a falta de status da profissão...
Temos que buscar incentivo para continuar estudando apenas dentro de nós mesmos. O curso realmente não é dos mais difíceis. Estudávamos muito mais na escola. As matérias são, teoricamente, mais "leves". Nada de cálculos intermináveis, extrair a raiz quíntupla da matriz do número imaginário, ou coisas do tipo. Só muuuitos textos que, se você não ler, conseguirá fazer as provas e ser aprovado.
Então, penso que o melhor jeito de aproveitar o curso, e tornar-se um jornalista de verdade, é fazendo tudo que der. Lendo todos os textos, mesmo que não sejam obrigatórios. Prestando atenção no professor, mesmo que ele não seja dos melhores, e sempre tentar extrair 'algo' do que ele diz. Pedindo dicas de livros, jornais, sites, blogs, revistas, rótulos de shampoo... Enfim, fazendo muito além do que o necessário. Contrariando Mogli, o extraordinário nunca é demais para um (quase) jornalista.
Ainda concordo com a obrigatoriedade do diploma, porque penso que só cursando jornalismo podemos explorar este meio completamente. A faculdade te dá a direção, e você deve trilhar o caminho sozinho. Se não quiser trilhar, tudo bem. Será um profissional fraco ao se formar. A verdade é: devemos estudar a teoria jornalística durante a faculdade.
Muitos dizem que a prática é o que conta. Siiiim! No jornalismo, um eterno estudante que não se dedica à prática também não se torna um profissional de ponta. Mas um jornalista que só tem experiência prática torna-se um técnico em apuração/investigação/redação. Não há profundidade. Não há opinião verdadeira, apenas obediência à editoria.
A junção da teoria e da prática criam o JORNALISTA propriamente dito. Espero que eu me torne uma profissional bastante prática, sim. Mas espero ainda mais que eu tenha conteúdo teórico. Portanto, estudo jornalismo mesmo sem a obrigatoriedade do diploma.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Valeu, Walt Disney!
Alguém deveria avisar pro seu Walt Disney o que ele fez com a cabeça das meninas. Não culpo os irmãos Grimm, porque até aí estava tudo bem: os livros não tinham tanta popularidade e você lia uma vez e estava satisfeita.
Agora, os contos de fadas transformados em filmes resultaram em uma verdadeira tragédia. Não, eu não vou falar do lado capitalista-quero-dinheiro-vocês-que-se-fodam da Disney, não to com saco pra isso. Meu único desabafo é: porque cargas d'água fazer filmes para que as pessoas acreditem que tudo na vida tem um lindo e belo final feliz?
Eu vi todos os filmes de princesas. Eu vi todos os contos de fadas. Eu vi, sim, mais de uma vez (mais de duas, três, quatro...). Vejo até hoje. São lindos, são fofos, são apaixonantes e... enganadores.
Se eu tivesse começado a ver somente hoje, tudo bem, eu saberia discernir que tudo aquilo era puro blá-blá-blá, mas quando eu era criança só a"mágica" que me parecia ser mentira. E veja bem, essa parte talvez seja a única que não engane tanto.
Você vê "Cinderela" e entende que uma mulher não pode transformar abóbora em carruagem. Você vê "Branca de Neve" e sabe que ninguém ressuscita com um beijo. Mas você não vê tudo isso e entende, também, que a moral da história é mais uma mentira.
Então, você começa a acreditar que mesmo quando tudo estiver dando errado, vai aparecer alguém maravilhoso, e você será feliz pra sempre. Porque isso, teoricamente, não é mágica.
TEORICAMENTE. Afinal, depois de alguns anos você descobre a verdade e se sente extremamente frustrada. Você pode ter a beleza das princesas, você pode até ser órfã como t-o-d-a-s elas, mas, minha querida: você não vai encontrar um príncipe encantado! No máximo alguém pra discutir com você quase todos os dias, te trair, te enganar e mentir MUITO.
Não me venham com histórinhas que deram certo, porque eu não vou acreditar mais em nenhuma. Se eu soubesse desde o começo que a realidade era assim, não teria esperado o "príncipe" todo esse tempo. E olha que eu nunca quis cavalo branco.
Mas tudo bem. A gente vai vivendo e percebendo que a única parte real dos contos de fadas era a existência das bruxas. Afinal, nenhuma abóbora vira carruagem, beijo não ressuscita, peixes não falam e, por favor, ninguém dorme por cem anos.
Agora, os contos de fadas transformados em filmes resultaram em uma verdadeira tragédia. Não, eu não vou falar do lado capitalista-quero-dinheiro-vocês-que-se-fodam da Disney, não to com saco pra isso. Meu único desabafo é: porque cargas d'água fazer filmes para que as pessoas acreditem que tudo na vida tem um lindo e belo final feliz?
Eu vi todos os filmes de princesas. Eu vi todos os contos de fadas. Eu vi, sim, mais de uma vez (mais de duas, três, quatro...). Vejo até hoje. São lindos, são fofos, são apaixonantes e... enganadores.
Se eu tivesse começado a ver somente hoje, tudo bem, eu saberia discernir que tudo aquilo era puro blá-blá-blá, mas quando eu era criança só a"mágica" que me parecia ser mentira. E veja bem, essa parte talvez seja a única que não engane tanto.
Você vê "Cinderela" e entende que uma mulher não pode transformar abóbora em carruagem. Você vê "Branca de Neve" e sabe que ninguém ressuscita com um beijo. Mas você não vê tudo isso e entende, também, que a moral da história é mais uma mentira.
Então, você começa a acreditar que mesmo quando tudo estiver dando errado, vai aparecer alguém maravilhoso, e você será feliz pra sempre. Porque isso, teoricamente, não é mágica.
TEORICAMENTE. Afinal, depois de alguns anos você descobre a verdade e se sente extremamente frustrada. Você pode ter a beleza das princesas, você pode até ser órfã como t-o-d-a-s elas, mas, minha querida: você não vai encontrar um príncipe encantado! No máximo alguém pra discutir com você quase todos os dias, te trair, te enganar e mentir MUITO.
Não me venham com histórinhas que deram certo, porque eu não vou acreditar mais em nenhuma. Se eu soubesse desde o começo que a realidade era assim, não teria esperado o "príncipe" todo esse tempo. E olha que eu nunca quis cavalo branco.
Mas tudo bem. A gente vai vivendo e percebendo que a única parte real dos contos de fadas era a existência das bruxas. Afinal, nenhuma abóbora vira carruagem, beijo não ressuscita, peixes não falam e, por favor, ninguém dorme por cem anos.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
O sonho é meu e eu sonho que...
Os alunos da UFMT se reuniram hoje para uma manifestação. Não todos os alunos, óbvio, mas os que puderam ir e/ou sentem-se incomodados com a situação da universidade.
A reitora disse que queria nos ouvir, e fomos (quase) todos os alunos para um auditório (não me lembro onde). Dentre as reivindicações está a ampliação do RU para todos os dias da semana, ampliação da casa do estudante, aumento de estágios, aulas de campo, etc. Tudo extremamente fundamental para que os alunos possam estudar em boas condições.
Pois bem. A reitora falava com muita simpatia, sempre dizendo que iria atender às pautas, que sentia-se tranquila com sua gestão, resumindo: sempre dizendo que havia solução para tudo. No entanto, como um colega disse depois de uma fala da reitora, ela estava colocando "mel" na nossa boca. Sim, "mel", porque há muito tempo as condições da UFMT (e de muitas, se não todas, federais) são deploráveis. Faltam professores, faltam equipamentos, laboratório...
Logo quando ingressei na Universidade (ano passado), os alunos fizeram uma greve de uma semana, e as reclamações eram praticamente as mesmas. Estou há pouco tempo passando por todas essas dificuldades, mas ouço alunos mais antigos dizerem que os problemas sempre existiram.
A reitora é uma representante dos alunos (como também foi dito hoje, no auditório), e deve transmitir nossas necessidades ao governo federal. Esse governo que, aliás, está me decepcionando mais a cada dia! Dizem que vão construir mais quatro Universidades Federais... mas não arrumam, e não deixam em boas condições nem as já existentes!
Não pude ficar até o final da reunião de hoje, pois tinha um compromisso, mas infelizmente eu acredito que não tenha "dado em nada". Vou perguntar amanhã aos alunos que permaneceram, mas enfim.
No entanto, não quero dizer que a luta não é importante, que não trará resultados. Pelo contrário! Tudo o que conseguimos de avanço neste país, até hoje, foi por meio de luta. Como diz o título, eu sonho sim com um país melhor. Com uma educação de qualidade gratuita, para todos... Com saúde, segurança, transporte decentes para a população...
A reitora disse que queria nos ouvir, e fomos (quase) todos os alunos para um auditório (não me lembro onde). Dentre as reivindicações está a ampliação do RU para todos os dias da semana, ampliação da casa do estudante, aumento de estágios, aulas de campo, etc. Tudo extremamente fundamental para que os alunos possam estudar em boas condições.
Pois bem. A reitora falava com muita simpatia, sempre dizendo que iria atender às pautas, que sentia-se tranquila com sua gestão, resumindo: sempre dizendo que havia solução para tudo. No entanto, como um colega disse depois de uma fala da reitora, ela estava colocando "mel" na nossa boca. Sim, "mel", porque há muito tempo as condições da UFMT (e de muitas, se não todas, federais) são deploráveis. Faltam professores, faltam equipamentos, laboratório...
Logo quando ingressei na Universidade (ano passado), os alunos fizeram uma greve de uma semana, e as reclamações eram praticamente as mesmas. Estou há pouco tempo passando por todas essas dificuldades, mas ouço alunos mais antigos dizerem que os problemas sempre existiram.
A reitora é uma representante dos alunos (como também foi dito hoje, no auditório), e deve transmitir nossas necessidades ao governo federal. Esse governo que, aliás, está me decepcionando mais a cada dia! Dizem que vão construir mais quatro Universidades Federais... mas não arrumam, e não deixam em boas condições nem as já existentes!
Não pude ficar até o final da reunião de hoje, pois tinha um compromisso, mas infelizmente eu acredito que não tenha "dado em nada". Vou perguntar amanhã aos alunos que permaneceram, mas enfim.
No entanto, não quero dizer que a luta não é importante, que não trará resultados. Pelo contrário! Tudo o que conseguimos de avanço neste país, até hoje, foi por meio de luta. Como diz o título, eu sonho sim com um país melhor. Com uma educação de qualidade gratuita, para todos... Com saúde, segurança, transporte decentes para a população...
"Deve ter alamedas verdes
A cidade dos meus amores
E, quem dera, os moradores
E o prefeito e os varredores
E o pintores e os vendedores
Fossem somente crianças"
Fossem somente crianças"
Como diz essa música do Chico Buarque, quem dera que todos fossem crianças, com pureza, sem pensar somente em si!
Já que isso não é possível, vamos à luta, que somente por meio dela é que conseguiremos um Brasil (quiçá um mundo) melhor!
terça-feira, 16 de agosto de 2011
O último
Pra começar, um texto da Tati Bernardi:
"Eu me descubro ainda mais feliz a cada pedaço seu e de tudo o que é seu. Eu amo tanto o seu banheiro com as combinações em verde e a chuva fina do chuveiro, que chorei essa manhã enquanto você tomava taffman-e e ouvia música eletrônica.
Às vezes você é tão bobo, e me faz sentir tão boba, que eu tenho pena de como o mundo era bobo antes da gente se conhecer.
Eu queria assinar um contrato com Deus: se eu nunca mais olhar para homem nenhum no mundo, será que ele deixa você ficar comigo pra sempre?
Eu descobri que tentar não ser ingênua é a nossa maior ingenuidade, eu descobri que ser inteira não me dá medo porque ser inteira já é ser muito corajosa, eu descobri que vale a pena ficar três horas te olhando sentada num sofá mesmo que o dia esteja explodindo lá fora.
E quando já não sei mais o que sentir por você, eu respiro fundo perto da sua nuca, e começo a querer coisas que eu nem sabia que existiam.
Quando a gente foi ver o pôr-do-sol na Praça pôr-do-sol, eu, você e a Lolita, a minha cachorrinha mala, e a
gente ficou abraçado, e a gente se achou brega demais, e a gente morreu de rir, eu senti um daqueles segundos de eternidade que tanto assustam o nosso coração acostumado com a fugacidade segura dos sentimentos superficiais.
Eu olhei para você com aquela sua jaqueta que te deixa com tanta cara de homem e me senti tão ao lado de um homem, que eu tive vontade de ser a melhor mulher do mundo.
E eu tive vontade de fazer ginástica, ler, ouvir todas as músicas legais do mundo, aprender a cozinhar,
arrumar seu quarto, escrever um livro, ser mãe. E aí eu só olhei pra bem longe, muito além daquele Sol, e todo o meu passado se pôs junto com ele. E eu senti a alma clarear enquanto o dia escurecia.
Eu te engoli e você é tão grande pra mim que eu dedico cada segundo do meu dia em te digerir. E eu não tenho mais fome, e eu tenho que ter fome porque eu não quero você namorando uma magrela. E eu sonhei com você e acordei com você, e eu te olhei e falei que eu estava muito magrela, e você me mandou dormir mais, e me abraçou.
Eu preciso disfarçar que não paro mais de rir, mas aí olho pra você e você também está sempre rindo. Se isso não for o motivo para a gente nascer, já não entendo mais nada desse mundo.
E eu tento, ainda refém de algumas células rodriguianas que vez ou outra me invadem, tentar achar defeito na
gente, tentar estragar tudo com alguma sujeira.
Mas você me deu preguiça da velha tática de fuga, você me fez dormir um cd inteiro na rede e quando eu acordei o mundo inteiro estava azul.
Engraçado como eu não sei dizer o que eu quero fazer porque nada me parece mais divertido do que simplesmente estar fazendo. Ainda que a gente não esteja fazendo nada.
Eu, que sempre quis desfilar com a minha alegria para provar ao mundo que eu era feliz, só quero me esconder de tudo ao seu lado.
Eu limpei minhas mensagens, eu deletei meus emails, eu matei meus recados, eu estrangulei minhas esperas, eu arregacei as minhas mangas e deixei morrer quem estava embaixo delas. Eu risquei de vez as opções do meu caderninho, eu espremi a água escura do meu coração e ele se inchou de ar limpo, como uma esponja. Uma esponja rosa porque você me transformou numa menina cor-de-rosa.
Você me transformou no eufemismo de mim mesma, me fez sentir a menina com uma flor daquele poema, suavizou meu soco, amoleceu minha marcha e transformou minha dureza em dança. Você quebrou minhas pernas, me fez comprar um vestido cheio de rendas e babados, tirou as pedras da minha mão.
Você diz que me quer com todas as minhas vírgulas, eu te quero como meu ponto final."
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