quarta-feira, 26 de junho de 2013

solidão

Sim, nós nascemos sozinhos e morremos sozinhos. Alguém por aí disse que os relacionamentos que construímos durante a vida são meras tentativas de fingir que temos companhia quando - na verdade - é só você com você mesmo.
Reclamar de solidão pode parecer inútil olhando deste ponto. Somente reclamar parece inútil, de todos os pontos. Mas é que de vez em quando precisamos falar.
E porque muitas vezes não tem ninguém para te ouvir, você escreve.
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Tentando aliviar os pensamentos que vêem à mente a cada minuto, procuramos alguém pra nos ouvir. E ao ver que ninguém quer te ouvir, percebemos - mais uma vez -  o quanto estamos sozinhos.
Não, ninguém quer uma pessoa triste por perto. Querem sempre amigos legais, pra cima, divertidos. Ninguém quer te ver triste porque pessoas tristes "enchem o saco".
Então é melhor sair, ir pra balada, beber, colocar um lindo sorriso amarelo no rosto e postar fotos no instagram  de como sua vida é bela, mesmo que esteja morrendo por dentro.
É melhor dizer que tudo vai muito bem, obrigada, se não quiser perder uns bons (bons?) amigos.
Ninguém quer assistir suas lágrimas. Ninguém quer estar ao seu lado e ouvir seus soluços. É tão mais agradável o barulho das risadas, dos copos brindando. Tão mais encantador alguém que celebra a vida e passa por cada problema como se não fosse nada, e sempre tem uma frase de autoajuda/ auto-afirmação para espalhar por aí.
Mas não. Existem pessoas que simplesmente vão "envelhecer lendo Maiakóvski na loja de conveniência". Pessoas que vão enxergar o problema do tamanho que ele não é, vão pensar que os moinhos de vento são dragões. E se você (como eu) é uma dessas pessoas, você será sozinho.
Pode até pensar em se sentir querido quando alguém te aconselhar a sorrir mais: mas não se sinta. Isso é só porque gente triste não faz festa. Gente triste não dança. Gente triste não paga rodada de cerveja.
E quando você quiser reclamar da sua solidão: Voilà! Você se encontrará mais sozinho do que nunca.
E quando a vida pesar e você precisar de alguém que simplesmente te ouça e não te mande melhorar: Voilà! A resposta é clara e frequente:

"Procure um psicólogo!"

Mas que maravilha do capitalismo! Pagando, temos alguém para nos ouvir reclamar que não há ninguém para nos ouvir.

domingo, 2 de junho de 2013

Sobre ser especial pra alguém

Aconteceu quando eu tinha 07 anos. Tinha acabado de sair da pré-escola, e estava na primeira série do ensino fundamental (antes dessa bagunça toda de "primeira série / segundo ano"). Fui a uma festa de aniversário da minha melhor-amiga-do-pré, que estava agora estudando em uma escola diferente da minha. Ela ainda era minha melhor amiga, e eu fui pra festa com toda expectativa que uma criança tem ao ir na festa de aniversário da melhor amiga. Chegando lá ela veio abrir a porta, e eu percebi um sorriso empolgado transformado em um sorriso amarelo de frustração. "Que bom que você veio!", ela disse. Eu entrei, e logo pensei que fosse só impressão minha.
No entanto, logo quando entrei na sala da casa dela, o primo (ou pai, ou irmão, ou tio, não me lembro) disse "Ah, que bom! A amiga que você estava esperando chegou!". E a resposta dela foi "Não, não era essa não...". O primo/irmão/pai/tio repreendeu, e ela logo tentou se redimir "Ah, mas eu queria muito que a Isabela viesse também!"

É estranho pensar que eu me lembro disso até hoje. Treze anos depois daquela festa de aniversário, ainda ouço claramente o "Não é ela não...".
Essa semana me mudei para um acampamento, onde ficarei durante todo o verão. Ao entrar no meu quarto (que vou dividir com uma menina que ainda não chegou) tinham três bilhetes em cima da mesa. A menina que veio me mostrar o quarto olhou-os, fez uma cara estranha e largou-os lá. Depois que ela foi embora eu li, e não eram pra mim. Os três bilhetes diziam "boas vindas" a minha roommate (que ainda não chegou).

Ontem uma das meninas veio me pedir desculpas, disse que elas não sabiam que eu chegaria agora, e por isso não fizeram bilhetinhos pra mim.

Eu sei que elas não fizeram por mal. E também sei que a minha amiga era apenas uma criança de sete anos e não queria me magoar. Mas esses acontecimentos simplesmente me mostram o quanto eu me importo, e o quando é bom ser especial pra alguém. O quanto é bom ser a pessoa "esperada" na festa, no acampamento, ou em casa mesmo. Aquela velha história de que o cachorro é o melhor amigo do homem, porque sempre vem correndo à porta lambê-lo quando ele chega exausto do trabalho. As pessoas dizem que ele é o melhor amigo simplesmente porque sentem falta de um amigo - humano - que faça isso.
E por mais que você seja bem-resolvida (o que não sou), independente (o que não sou) e auto-suficiente (o que não sou), penso que sempre vai existir um buraco a ser preenchido. Com um simples "boa noite", "bom dia", "sinto sua falta". Mas palavras sinceras, não robóticas. O bom dia do atendente da loja não conta: ele não se importa se você realmente está tendo um bom dia (aliás, se importa, porque quanto melhor seu dia, mais você vai gastar ali).
Um abraço, um beijo, uma conversa sem motivo algum. Conversar é o motivo. Falar, saber que a pessoa está ali para te ouvir, para falar com você sobre como o céu está cinza ou sobre como o tomate está caro. Alguém que te conte como foi o dia, mesmo que tenha sido a mesma rotina de sempre: sempre tem um café ou um tropeço a mais.

Alguém que perceba quando você não está nos seus melhores dias, e saiba te abraçar ou apertar a sua mão se perceber que você não quer falar sobre o assunto. Ou que saiba te ouvir por horas se for necessário. E alguém por quem você faria o mesmo. Alguém que não te canse, mesmo que você fique ouvindo sobre a mesma história por três horas. Alguém que olhe nos seus olhos e saiba exatamente o que seu sinal significa, e vice versa.

Às vezes a gente só precisa ser esperado na festa, ou bem vindo no acampamento.
Ou às vezes a gente só precisa de um abraço apertado, e alguém pra dizer que está tudo bem.