domingo, 2 de junho de 2013

Sobre ser especial pra alguém

Aconteceu quando eu tinha 07 anos. Tinha acabado de sair da pré-escola, e estava na primeira série do ensino fundamental (antes dessa bagunça toda de "primeira série / segundo ano"). Fui a uma festa de aniversário da minha melhor-amiga-do-pré, que estava agora estudando em uma escola diferente da minha. Ela ainda era minha melhor amiga, e eu fui pra festa com toda expectativa que uma criança tem ao ir na festa de aniversário da melhor amiga. Chegando lá ela veio abrir a porta, e eu percebi um sorriso empolgado transformado em um sorriso amarelo de frustração. "Que bom que você veio!", ela disse. Eu entrei, e logo pensei que fosse só impressão minha.
No entanto, logo quando entrei na sala da casa dela, o primo (ou pai, ou irmão, ou tio, não me lembro) disse "Ah, que bom! A amiga que você estava esperando chegou!". E a resposta dela foi "Não, não era essa não...". O primo/irmão/pai/tio repreendeu, e ela logo tentou se redimir "Ah, mas eu queria muito que a Isabela viesse também!"

É estranho pensar que eu me lembro disso até hoje. Treze anos depois daquela festa de aniversário, ainda ouço claramente o "Não é ela não...".
Essa semana me mudei para um acampamento, onde ficarei durante todo o verão. Ao entrar no meu quarto (que vou dividir com uma menina que ainda não chegou) tinham três bilhetes em cima da mesa. A menina que veio me mostrar o quarto olhou-os, fez uma cara estranha e largou-os lá. Depois que ela foi embora eu li, e não eram pra mim. Os três bilhetes diziam "boas vindas" a minha roommate (que ainda não chegou).

Ontem uma das meninas veio me pedir desculpas, disse que elas não sabiam que eu chegaria agora, e por isso não fizeram bilhetinhos pra mim.

Eu sei que elas não fizeram por mal. E também sei que a minha amiga era apenas uma criança de sete anos e não queria me magoar. Mas esses acontecimentos simplesmente me mostram o quanto eu me importo, e o quando é bom ser especial pra alguém. O quanto é bom ser a pessoa "esperada" na festa, no acampamento, ou em casa mesmo. Aquela velha história de que o cachorro é o melhor amigo do homem, porque sempre vem correndo à porta lambê-lo quando ele chega exausto do trabalho. As pessoas dizem que ele é o melhor amigo simplesmente porque sentem falta de um amigo - humano - que faça isso.
E por mais que você seja bem-resolvida (o que não sou), independente (o que não sou) e auto-suficiente (o que não sou), penso que sempre vai existir um buraco a ser preenchido. Com um simples "boa noite", "bom dia", "sinto sua falta". Mas palavras sinceras, não robóticas. O bom dia do atendente da loja não conta: ele não se importa se você realmente está tendo um bom dia (aliás, se importa, porque quanto melhor seu dia, mais você vai gastar ali).
Um abraço, um beijo, uma conversa sem motivo algum. Conversar é o motivo. Falar, saber que a pessoa está ali para te ouvir, para falar com você sobre como o céu está cinza ou sobre como o tomate está caro. Alguém que te conte como foi o dia, mesmo que tenha sido a mesma rotina de sempre: sempre tem um café ou um tropeço a mais.

Alguém que perceba quando você não está nos seus melhores dias, e saiba te abraçar ou apertar a sua mão se perceber que você não quer falar sobre o assunto. Ou que saiba te ouvir por horas se for necessário. E alguém por quem você faria o mesmo. Alguém que não te canse, mesmo que você fique ouvindo sobre a mesma história por três horas. Alguém que olhe nos seus olhos e saiba exatamente o que seu sinal significa, e vice versa.

Às vezes a gente só precisa ser esperado na festa, ou bem vindo no acampamento.
Ou às vezes a gente só precisa de um abraço apertado, e alguém pra dizer que está tudo bem.

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