Não sei o que é. Sinto medo,
muito medo. Sinto angústia. Aperto no coração. Vontade de dormir e acordar no
útero da minha mãe. Vontade de sumir. Parece ridículo aos olhos externos.
Dramático ao extremo, exagerado, ridículo.
Percebi que me conforto com o que
não é possível, com o que com certeza ficarei eternamente almejando. Estou
confortável amando, querendo, gostando, e sabendo que nunca vai se concretizar.
Por outro lado, o talvez me atormenta. O talvez pode destruir o que eu tenho, e
quero guardar, por mais que me machuque. Por mais que destrua o meu coração a
cada espera. A cada mensagem que não chegou. A cada noite perdida.
Faz mal para mim. Faz mal. Faz
sofrer. Sempre fez. E faz. E faz chorar e sempre fez. E sempre vai fazer, e
isso é certo. Mas não quero perder. E não entendo porque não quero perder essas
longas lágrimas. Sinto que são intrínsecas a mim. A lágrima já faz parte de
mim. A dor já está instalada dentro do peito, e preciso sentí-la. Mas é a dor?
Ou é o que acontece entre-dores? Ou é o que consigo imaginar entre-dores? Ou é
o que eu fantasio e trago para a realidade, para suportar a dor?
Não sei o que necessito. Sei que
necessito. E qualquer ameaça a isso que necessito, causa angústia maior ainda.
Ameaça, que talvez tiraria do peito a dor. Preciso da dor? Não gosto disso. Não
quero isso. Mas preciso. Quero. Gosto.
Preciso estar na vida dele, de qualquer forma. Doendo, machucando,
arregaçando meu coração. Não queria ser assim, diferente dos outros, estranha. Mas
não se brinca com necessidade.
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