Assisti hoje ao filme "Capitães da areia" (baseado na obra de Jorge Amado, e dirigido por Cecília Amado, neta do autor). A sala de cinema estava quase vazia. Apesar de ser algo que acontece frequentemente com filmes brasileiros, pensei que com "Capitães da areia" seria diferente, já que ele é baseado em uma obra famosa que já foi (não sei se é ainda) leitura obrigatória para alguns vestibulares.
Mas não. Eram, no total, seis pessoas na sala (um casal, eu e meus três amigos). Fiquei pensando em tantos filmes americanos que estão sempre lotados. Filmes para que, muitas vezes, não conseguimos comprar ingressos porque estes já se esgotaram.
Não quero criticar o cinema americano, nem nenhum filme em especial, mas acho, realmente, que muitos brasileiros deveriam assistir a "Capitães da areia", ao invés de ficarem somente nas comédias românticas estadunidenses. Não somente porque ele é baseado em um livro de um dos maiores e melhores escritores brasileiros, mas principalmente pela mensagem que passa.
O filme conta a história de um grupo de meninos de rua da Bahia, os chamados "Capitães da areia", que vivem juntos em um "trapicho" e vivem de roubos. O mais interessante, é que nos envolvemos com a história, passamos a nos sentir como parte do grupo e, a partir daí, não vemos o filme julgando os meninos como marginais, ladrões, mas apenas como crianças que têm sonhos, sentimentos. Assistimos ao filme olhando com compaixão para aqueles meninos que, provavelmente, se víssemos na rua, não teríamos ideia do que representam.
É preciso perceber que os "capitães da areia" representam todos os meninos que não têm boas oportunidades na vida. Nem boa formação. Que roubam, brigam, bebem, fumam, porque é isso que lhes resta. Porque estão inseridos em um sistema injusto, que os obriga a fazer o que fazem e, ao mesmo tempo, faz com que os outros (os menos necessitados) os vejam como marginais. Sistema que valoriza apenas os filmes americanos, super-produzidos, com milhões de gastos, artistas bonitos... e desvaloriza filmes que fazem com que as pessoas comecem a pensar que algo no mundo pode estar errado. Sistema certamente falho. Que sempre se mostrou falho para os mais pobres, e que vem se mostrando falho para os mais ricos durante os últimos anos, por meio de tantas crises.
Enfim, vemos o filme e passamos a acreditar no samba que está na trilha sonora: "É proibido sonhar, então me deixe o direito de sambar". Sambar, aqui, pode significar N coisas. Mas sonhar, significa uma só: o que um dos personagens, o Professor, faz no final do filme, ao prever o futuro de cada um dos colegas. Um, seria dono de cabaré. Outro, seria cangaceiro. Ele mesmo, seria artista de sucesso. No entanto, na sociedade em que eles vivem, é proibido sonhar. Os "Capitães da areia" continuariam, muito provavelmente, apenas sambando na vida.
Belo texto, filha, vou assistir e depois faço meu comentário também, quem sabe um novo post no meu esquecido blog. Bj
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